Agro

Colheita de café no Brasil começa devagar com grãos de maior qualidade

13 mai 2026 às 21:41

A colheita da safra de café 2026/27 no Brasil começou com um ritmo bem lento em maio, em virtude da maturação desuniforme das lavouras. Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), muitas plantas ainda exibem um percentual elevado de grãos verdes.


A estratégia dos produtores é aguardar o momento ideal para a retirada do fruto, evitando perdas na qualidade da bebida. Até o momento, o avanço médio da área colhida nas regiões de maior representatividade está estimado entre 3% e 5% do volume total projetado.


Escassez de estoques e projeções de mercado

O setor cafeeiro vive um período de grande expectativa pela entrada do novo grão no mercado brasileiro e internacional. Essa ansiedade é justificada pela baixa disponibilidade de café da safra passada (2025/26) para negociação.


A produção anterior de café arábica foi limitada, o que resultou em estoques reduzidos nas principais cooperativas e armazéns do país. O café arábica é o tipo mais valorizado para a exportação e fabricação de cafés especiais. Diferente do ciclo anterior, as projeções para a temporada 2026/27 indicam uma produção volumosa, o que já começou a pressionar os valores do grão.


Clima gera preocupação nas regiões produtoras

Apesar da pressão de baixa nos preços causada pela expectativa de abundância, a queda foi contida recentemente por fatores climáticos. Uma frente fria atingiu as principais regiões produtoras brasileiras no início desta semana, gerando alertas entre os cafeicultores.


De acordo com o Cepea, existe uma preocupação real quanto à possibilidade de geadas. Esse fenômeno pode "queimar" a planta, limitando a produção imediata e comprometendo a saúde do cafezal para os próximos anos.


O desafio da maturação desuniforme

A lentidão na colheita está ligada ao ciclo fisiológico da planta: os grãos não estão amadurecendo ao mesmo tempo no mesmo ramo. Colher o café com muitos grãos verdes prejudica a classificação do produto e reduz o valor pago ao produtor rural.


O mercado cafeeiro segue monitorando a intensidade da frente fria e a retomada do ritmo de maturação. O equilíbrio entre uma oferta volumosa e a preservação da qualidade será determinante para definir os rumos dos preços nos próximos meses.

Veja Também