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Conecta Leite reúne 60 produtores em Londrina com foco no inverno

Promovida pela ANPPL com apoio da Sociedade Rural do Paraná, 5ª edição do evento no Parque Ney Braga detalhou cuidados sanitários e nutricionais.
29 mai 2026 às 16:27
Por: Assessoria de Imprensa
José Carboni

Mais de 60 produtores rurais participaram, nesta quinta-feira (28 de maio de 2026), da 5ª edição do Conecta Leite. O evento técnico, que teve como tema central o “Manejo Sanitário e Nutricional de Bezerras”, foi realizado na sede do Cocriagro, localizada dentro do Parque Governador Ney Braga, em Londrina.


Promovido de forma estratégica pela Associação Norte Paranaense dos Produtores de Leite (ANPPL), com o apoio institucional da Sociedade Rural do Paraná (SRP), o encontro reuniu especialistas e pecuaristas para discutir práticas fundamentais para a criação de bezerras, especialmente diante da proximidade do inverno.


A programação oficial contou com palestras do médico-veterinário Dr. José Carboni, que abordou os principais cuidados práticos relacionados à sanidade animal, e da zootecnista Dra. Elissa Vizzoto, que apresentou orientações sobre nutrição e desenvolvimento das bezerras, fase considerada decisiva para o desempenho produtivo futuro de todo o rebanho.


De acordo com o vice-presidente da ANPPL, Luciano Choucino, a escolha da temática foi motivada pelos desafios climáticos que o período mais frio do ano impõe diretamente às propriedades leiteiras.


“Estamos muito próximos do inverno, uma época do ano marcada por temperaturas mais baixas e maior índice de umidade relativa do ar, fatores que exigem atenção especial e redobrada dos produtores. As bezerras são mais suscetíveis a problemas sanitários nesse estágio e, por isso, entendemos que era fundamental levar informações técnicas de alto nível que ajudassem os produtores a se prepararem de forma preventiva, minimizando riscos econômicos”, explicou o vice-presidente.

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Presente no evento, o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Marcelo Janene El-Kadre, destacou a evolução do projeto setorial desde a sua concepção e comemorou a expressiva participação dos produtores regionais.


“Lembro que, na primeira edição, éramos poucos participantes e eu disse, durante o discurso de abertura, que aquele era apenas o começo de uma caminhada. Hoje, ver mais de 60 produtores de leite reunidos demonstra a força e a credibilidade que o Conecta Leite conquistou no setor. É um resultado que reflete o empenho da associação, dos parceiros e, principalmente, dos produtores que acreditam firmemente na importância da capacitação contínua”, afirmou.


Além da atualização técnica e científica, o encontro proporcionou uma rica troca de experiências práticas entre os participantes, fortalecendo a cadeia produtiva da pecuária leiteira na região metropolitana. A iniciativa integra o cronograma anual de ações da ANPPL com apoio da SRP voltadas ao desenvolvimento do ecossistema do leite, promovendo a difusão de conhecimento, inovação de campo e maior competitividade para o mercado do Norte do Paraná.


Manejo sanitário impacta toda a vida produtiva do animal


Durante a sua apresentação, o médico-veterinário Dr. José Carboni destacou de forma incisiva que o manejo sanitário das bezerras vai muito além dos cuidados básicos comumente realizados logo após o parto. Segundo o especialista, a atenção cirúrgica aos detalhes nos primeiros dias de vida é o pilar fundamental para prevenir patologias, reduzir a taxa de mortalidade e garantir o pleno desenvolvimento zootécnico dos animais.


Entre os temas debatidos na palestra, Carboni ressaltou a importância da avaliação clínica individual das bezerras recém-nascidas, do protocolo correto de cura do umbigo, da higienização e desinfecção periódica das instalações e da adoção de calendários sanitários customizados para a realidade de cada propriedade. O veterinário também chamou a atenção para a necessidade do monitoramento precoce de sinais clínicos de enfermidades, com foco em diarreias e doenças respiratórias complexas, que figuram hoje entre as principais causas de prejuízo financeiro na criação de bezerras de reposição.


“Quando cuidamos bem de uma bezerra nos primeiros dias de vida, estamos construindo e moldando a futura vaca do rebanho. Sanidade não se resume apenas a evitar doenças visíveis, mas sim a garantir que esse animal tenha todas as condições fisiológicas de expressar 100% do seu potencial produtivo de leite ao longo de sua vida útil”, destacou Carboni.


De acordo com o profissional, muitas das enfermidades que acometem os animais jovens na fase de aleitamento podem deixar sequelas anatômicas e fisiológicas permanentes, comprometendo o ritmo de crescimento, a eficiência alimentar e o desempenho produtivo na fase adulta. Por esse motivo, as ações de prevenção devem ser tratadas como prioridade absoluta na gestão das propriedades.

Com a aproximação das massas de ar frio do inverno, Carboni reforçou a obrigatoriedade de se manter os ambientes e piquetes limpos, secos e totalmente protegidos contra a umidade excessiva e ventos encanados. O estresse térmico provocado pelo frio severo deprime o sistema imunológico, favorecendo o surgimento de surtos respiratórios, o que torna indispensável a aplicação de medidas de bem-estar animal.


Nutrição começa antes do nascimento


Na ala voltada ao manejo nutricional, a zootecnista Dra. Elissa Vizzoto demonstrou que o desenvolvimento ponderal das bezerras começa, na verdade, ainda durante a gestação uterina. O foco deve ser o terço final do período gestacional, intervalo em que o plano nutricional e o manejo de estresse das vacas secas têm impacto biológico direto sobre a saúde, o vigor ao nascimento e o teto de produção futuro das crias.

A palestrante pontuou que fatores cruciais como a dieta balanceada das matrizes, o conforto térmico no pré-parto e o manejo de transição adequado influenciam diretamente o peso vivo ao nascimento, a qualidade do colostro e a eficiência imunológica das futuras vacas leiteiras. Investimentos estratégicos aportados nessa fase se convertem em retornos econômicos ao longo de toda a longevidade do plantel.


Outro ponto alto da palestra foi a discussão sobre o fornecimento estratégico de colostro de alta qualidade (mensurado por refratômetro de Brix) rigorosamente dentro das primeiras horas pós-parto. Esse manejo cirúrgico é a única via de transferência de imunidade passiva para as bezerras, sendo o maior fator de proteção contra infecções nas primeiras semanas de vida.


A Dra. Elissa também abordou os manejos de alimentação líquida e sólida nas fases iniciais, enfatizando que a oferta balanceada e constante de leite (ou sucedâneo), água potável e concentrado inicial de alta palatabilidade é essencial para estimular o desenvolvimento precoce das papilas do rúmen, preparando o animal para um processo de desaleitamento (desmama) eficiente e sem quebras de ganho de peso. “O futuro do faturamento da atividade leiteira começa nos pequenos cuidados com a bezerra recém-nascida”, reforçou.


Ao finalizar o painel sobre os desafios climáticos do inverno, a zootecnista alertou para a necessidade de um ajuste na dieta em períodos frios. Como as temperaturas baixas elevam significativamente a exigência de energia de mantença das bezerras (que queimam mais calorias para manter a temperatura corporal), torna-se indispensável associar instalações secas e abrigadas a um aporte nutricional reforçado, blindando os animais contra perdas de peso e atrasos no desenvolvimento.

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