O aparecimento de animais silvestres em quintais de casas ou sedes de fazendas tem se tornado uma notícia frequente no Paraná. Recentemente, uma onça-parda mobilizou equipes de resgate em uma área urbana de Maringá, enquanto um jacaré-de-papo-amarelo de 2,5 metros foi encontrado em meio a uma lavoura de soja em Sertaneja. Embora pareça uma "invasão", especialistas alertam que o fenômeno é, na verdade, um reflexo da expansão humana sobre os habitats naturais.
Com a redução das florestas nativas, os animais se movimentam através dos chamados corredores ecológicos — porções remanescentes de mata que conectam fragmentos maiores. Ao tentarem atravessar essas áreas para buscar alimento ou parceiros, acabam entrando em contato direto com cidades e propriedades rurais. "O homem é quem está se aproximando da moradia deles", destaca a reportagem, lembrando que esses animais apenas tentam seguir o caminho de volta para casa.
Referência em reabilitação: O papel do HV da Unifil
O Hospital Veterinário (HV) da Unifil, em Londrina, atua como um dos principais Centros de Apoio à Fauna Silvestre (CAFES) em parceria com o Instituto Água e Terra (IAT). A estrutura 24 horas permite que animais vítimas de tráfico, atropelamentos ou resgates urbanos recebam tratamento especializado:
Onças-Pardas: São a espécie mais resgatada no Norte do estado. Em 12 anos de parceria, 23 animais foram atendidos — nove deles apenas em 2025, todos com sobrevivência garantida graças ao suporte médico.
Caturritas e Jacarés: O hospital também acolheu 34 caturritas argentinas sobreviventes do contrabando e a fêmea de jacaré de 57 kg que estava prenhe, garantindo que fossem devolvidos à natureza após exames.
Números em Alta: No último ano, o IAT registrou mais de 6 mil atendimentos à fauna silvestre no Paraná, superando os dados de 2024. Só a unidade de Londrina respondeu por 1.169 dessas ações.
Educação e Expansão do Atendimento
Para a médica veterinária Daniela, do HV Unifil, a percepção da população está mudando. O trabalho de educação ambiental realizado com escolas busca desconstruir a cultura da caça e do medo, ensinando que o respeito à vida silvestre começa na infância.
Enquanto isso, o IAT trabalha para ampliar a rede de atendimento em todo o estado. O objetivo é evitar grandes deslocamentos — como levar um animal ferido de Paranavaí até Londrina ou Umuarama — já que o tempo de transporte é crucial para a sobrevida do bicho. A meta é criar uma malha de auxílio que cubra todas as regiões, garantindo que o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental encontrem um ponto de equilíbrio.