O cultivo de mirtilo — fruta também conhecida mundialmente como blueberry — vem ganhando espaço no Distrito Federal, impulsionado pela adoção de tecnologias de irrigação por gotejamento e pela assistência do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-DF). Durante um dia de campo no Cerrado, agricultores locais apresentaram técnicas de manejo para elevar a produtividade em pequenas propriedades rurais.
Entre as experiências de destaque na região está a dos produtores Bruno e Najila, que investiram na fruticultura há cerca de um ano e meio. Em uma área de apenas meio hectare, o casal cultiva 5 mil plantas. No último ciclo de colheita, a lavoura registrou uma média de 400 gramas por pé, volume considerado elevado para o tamanho da propriedade.
Tecnologia, fertirrigação e sistema semi-hidropônico
O fator determinante para o sucesso da plantação no clima do Centro-Oeste é o gerenciamento hídrico. A lavoura utiliza o sistema de irrigação localizada por gotejamento, focado em aplicar água e nutrientes diretamente na zona radicular dos mirtilos.
A produção adota o modelo semi-hidropônico, no qual as mudas são desenvolvidas em substrato em vez do solo convencional. Como o substrato não retém umidade por longos períodos, o manejo exige o uso contínuo da fertirrigação — técnica que combina adubação líquida e água na dosagem exata —, garantindo a nutrição das plantas especialmente durante a época de estiagem na região.
Assistência técnica e dias de campo no DF
A expansão da cultura do mirtilo na capital federal conta com a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar-DF. A instituição oferece acompanhamento gratuito desde a fase de implantação do pomar até a comercialização da safra, auxiliando na redução de custos operacionais e no aumento da margem de lucro.
Para difundir as melhores práticas de fruticultura, a chácara dos produtores recebeu encontros do setor organizados pelo Senar-DF. Os dias de campo têm como objetivo promover a troca de conhecimento, ampliar o networking entre os produtores rurais e demonstrar a viabilidade econômica de culturas de alto valor agregado no Distrito Federal.