O custo do óleo diesel na lavoura de soja mais que dobrou nos últimos oito anos nas propriedades rurais brasileiras. De acordo com levantamento realizado pela Aegro Insights, com base na análise de 507 mil notas fiscais, a cotação do grão não acompanhou o encarecimento do combustível, que acumula alta de 87,5% na série histórica iniciada em 2018.
Na parcial até agosto de 2026, o preço médio pago pelo insumo nas fazendas atingiu R$ 6,56 por litro, ultrapassando a marca de R$ 6,54 registrada durante a crise energética global de 2022. O gasto médio por hectare cultivado saltou 180,4% entre 2018 e 2025, impulsionado por conflitos internacionais, entraves na oferta global do derivado de petróleo e flutuações cambiais.
A pesquisa registrou a pior relação de troca da história para o setor. Em 2018, uma saca de soja de 60 quilos era suficiente para adquirir 20,74 litros de diesel; atualmente, o mesmo volume compra apenas 17,46 litros. O consumo proporcional no campo subiu de 1,43 saca por hectare em 2018 para 2,44 sacas por hectare em 2025.
O impacto financeiro varia entre as regiões do país devido a divergências na infraestrutura logística. O Maranhão lidera o peso proporcional do insumo, onde o diesel compromete 6,28% do custo total por hectare (R$ 378,70). Já o estado de Mato Grosso apresentou a menor taxa relativa, com 4,71% (R$ 250,00 por hectare), beneficiado pelo ganho de escala das frotas agrícolas.