As assimetrias de custos operacionais e a carga tributária entre Brasil e Paraguai vêm impulsionando uma nova onda de migração de produtores rurais do Paraná e de outros estados para o país vizinho. A avaliação foi apresentada pelo ex-ministro da Agricultura, Antonio Cabrera, que destacou a atração de capital brasileiro para a produção agrícola em território paraguaio devido ao ambiente de negócios mais favorável.
Entre os principais atrativos apontados estão as alíquotas de impostos. Enquanto o Imposto de Renda para empresas no Brasil pode alcançar 34%, a taxa fixa no Paraguai é de 10%. No caso das pessoas físicas, o teto brasileiro de 27,5% contrasta com os 10% aplicados no país vizinho. A diferença também se reflete no custo da energia elétrica industrial — US$ 119 por megawatt/hora no mercado nacional contra US$ 43 no território paraguaio — e na taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano no país ante 5,5% do vizinho sul-americano.
A infraestrutura e a logística de escoamento de grãos também pesam na escolha dos agricultores. O Paraguai transporta cerca de 80% de suas exportações agrícolas por malha hidroviária, enquanto o setor produtivo brasileiro utiliza rios e hidrovias para apenas 17% do transporte de soja e milho. Estima-se que agricultores de origem brasileira já sejam responsáveis por quase 80% da produção de grãos no Paraguai.