Agro

Entressafra e mercado externo fazem preço do algodão subir e travam negócios no país

29 abr 2026 às 09:56

O preço do algodão em pluma não para de subir e já alcançou o maior patamar nominal desde o final de julho de 2025. De acordo com pesquisadores do Cepea, esse salto nas cotações é provocado principalmente pela força do mercado internacional e pela postura mais firme dos produtores brasileiros, que estão segurando as vendas durante este período de entressafra. Outros fatores globais, como a alta no preço do petróleo e as incertezas climáticas tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, também ajudam a inflar os valores da fibra no mercado interno.


Apesar da valorização, o ritmo de negócios no chamado mercado spot — para entrega imediata — segue bastante devagar. Isso acontece porque existe um "cabo de guerra" entre quem vende e quem compra: os agricultores pedem preços mais altos, enquanto as fábricas e indústrias tentam baixar os custos. No momento, as vendas só acontecem para reposição urgente de estoques, já que o volume de contratos maiores está travado pela falta de um acordo comum sobre os valores praticados no setor têxtil.


Na outra ponta da corda, as indústrias relatam uma dificuldade enorme em repassar esse aumento para o fio e as roupas que chegam às lojas. Como o consumo no varejo está em baixa devido aos juros elevados e ao alto endividamento das famílias, o consumidor final tem evitado gastos extras, o que acaba segurando o repasse de preços ao longo da cadeia. Com a inflação apertando o bolso, o cenário atual é de extrema cautela, com compradores e vendedores monitorando cada passo da economia antes de fechar novos carregamentos.