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Escassez de fertilizantes impacta custo de produção de alimentos

Conflitos geopolíticos restringem o comércio global de fertilizantes; Brasil depende de importações de insumos para produzir alimentos
23 jun 2026 às 13:10
Por: Band
Foto: Mapa

A dependência de insumos importados para a produção agrícola voltou a alarmar o setor produtivo nacional diante da escassez de fertilizantes no mercado internacional. Atualmente, mais de 90% dos principais adubos utilizados no Brasil são comprados do exterior, e a indústria doméstica, de porte reduzido, também depende de matérias-primas estrangeiras.


O panorama global piorou devido aos reflexos prolongados da guerra entre Rússia e Ucrânia. Grandes exportadores de insumos essenciais, como o enxofre, reduziram a oferta ou passaram a importar o produto.


"O custo de produção dos alimentos será impactado. O problema dos fertilizantes afeta em torno de 11% o custo de produção da safra de diversas culturas, não apenas a soja, mas milho, trigo e algodão também", aponta Bernardo Silva, diretor-executivo do Sinprifert.


Bloqueios logísticos e restrições na Ásia


O abastecimento para o plantio da próxima safra, previsto para começar em agosto, enfrenta duas barreiras comerciais e logísticas severas:

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  • Suspensão na China: O governo chinês interrompeu as exportações de fertilizantes para priorizar o seu próprio mercado interno;

  • Estreito de Ormuz: O fechamento desta rota marítima estratégica estrangulou o fluxo de petróleo e de componentes químicos essenciais vindos do Oriente Médio.


Há o receio generalizado de que o encarecimento dos insumos resulte no repasse de preços e eleve a inflação dos alimentos ao consumidor final nos supermercados.


Ofensiva diplomática e soluções estruturais


Para mitigar o desabastecimento, produtores nacionais acionaram o Itamaraty em busca de suporte emergencial. O Ministério das Relações Exteriores informou que mobilizou embaixadas para negociar diretamente a liberação de cargas com governos estrangeiros. A pasta confirmou que o tema virou prioridade nas agendas internacionais do ministro Mauro Vieira.


O setor aguarda o desfecho de tratativas geopolíticas externas, como uma eventual negociação entre Irã e Estados Unidos para liberar o trânsito de navios cargueiros na região do Golfo Pérsico, o que poderia aliviar os preços.


Contudo, analistas alertam que o país precisa de saídas estruturais. Segundo a direção do Sinprifert, além das ações diplomáticas imediatas, é necessário criar mecanismos financeiros e fiscais que viabilizem, no médio e longo prazo, a ampliação da capacidade produtiva nacional de fertilizantes.

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