Agro

Estudo alerta para compactação do solo em integração

21 jul 2026 às 12:53

Pesquisadores da Embrapa Solos e da Embrapa Gado de Leite identificaram limitações na capacidade de infiltração de água em um sistema de integração pecuária-floresta (IPF) em Valença (RJ). O estudo, publicado na revista Agrometeoros, alerta que as características do solo combinadas ao manejo da área podem aumentar o risco de erosão em dias de chuvas intensas.


A pesquisa avaliou a condutividade hidráulica de um Argissolo Amarelo — indicador que mede a capacidade de absorção de água pelo solo — em três pontos do sistema: na linha de plantio dos eucaliptos, na projeção da copa das árvores e na área central do pasto de braquiária.


Borda das árvores apresenta melhor infiltração


Os resultados mostraram baixa capacidade de infiltração em todas as posições. No entanto, o melhor desempenho ocorreu na borda da copa dos eucaliptos, onde a absorção foi três vezes superior à observada na linha das árvores e no centro do pasto.


Segundo os cientistas, a interação entre as raízes dos eucaliptos e da braquiária nessa faixa ajudou a formar poros no solo, facilitando a passagem da água.


Apesar desse ganho pontual, os índices gerais ficaram abaixo da média dos Argissolos brasileiros. A limitação é explicada por dois fatores principais:


  • Características naturais: presença de uma camada subsuperficial mais argilosa e adensada.

  • Manejo: impacto do pisoteio contínuo do gado na camada de cima do solo.


Atenção aos eventos climáticos extremos


A equipe analisou dados de chuva da região de Valença dos últimos 20 anos. O levantamento indica que, embora temporais extremos sejam menos frequentes, quando ocorrem em solos já encharcados, a baixa infiltração provoca enxurradas e favorece a erosão, especialmente em terrenos ondulados.


A Embrapa reforça que os sistemas de integração trazem grandes benefícios — como sombra para o gado, sequestro de carbono e diversificação de renda. No entanto, para proteger a estrutura física do solo, os pesquisadores recomendam adotar práticas mecânicas e biológicas de descompactação, além de ajustar o espaçamento do plantio.

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