Agro

Estudo da Embrapa mapeia áreas críticas de poluição no agro

14 out 2026 às 12:50

Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente, em São Paulo, e da Embrapa Solos, no Rio de Janeiro, concluíram um mapeamento inédito para identificar e classificar os municípios brasileiros mais suscetíveis à poluição difusa decorrente de atividades agropecuárias. O estudo concentra-se no risco de contaminação dos recursos hídricos por nitrogênio e fósforo, nutrientes amplamente presentes em fertilizantes e resíduos da pecuária.


De acordo com o levantamento, as áreas de maior vulnerabilidade crítica estão concentradas em municípios dos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, além da região do Matopiba — fronteira agrícola que abrange terras no Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. O estudo também apontou, de forma localizada, pontos que exigem alta prioridade de monitoramento nos estados do Paraná e de São Paulo, locais que unem forte atividade agrícola, alto uso de insumos e características ambientais propícias ao escoamento de nutrientes para os rios.


A pesquisa foi conduzida pela cientista Rachel Prado e pelo pesquisador Alexandre Ortega, utilizando o cruzamento de bases de dados nacionais em Sistemas de Informação Geográfica (SIGs). Foram avaliados indicadores como a entrega de fertilizantes nitrogenados, fosfatados e potássicos por cultura, o efetivo de rebanhos, a fertirrigação na cana-de-açúcar, além do balanço hídrico de microbacias e a erodibilidade dos solos.


Diferente da poluição pontual de esgotos e indústrias, a poluição difusa ocorre pelo escoamento superficial das águas da chuva, que carregam resíduos rurais diretamente para os cursos d'água. O alerta ganha relevância frente ao crescimento do consumo de adubos no país, cujas entregas saltaram de 14,7 milhões de toneladas em 1998 para 45,6 milhões de toneladas em 2024, com projeções de alcançar 65 milhões de toneladas até 2050, evidenciando a urgência de políticas públicas para o manejo sustentável no campo.

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