Agro

Estudo da Embrapa mostra como reduzir erro de voo de abelhas

19 ago 2026 às 12:35

Uma pesquisa desenvolvida por cientistas da Embrapa Meio Ambiente, em São Paulo, em parceria com a Universidade de Bristol, no Reino Unido, comprovou que intervenções simples no manejo de meliponários reduzem a desorientação espacial de abelhas-sem-ferrão. A prática combate o chamado drifting, fenômeno em que operárias entram por engano em colmeias vizinhas ao retornarem do campo, espalhando patógenos e prejudicando a colheita.


O estudo avaliou o comportamento das espécies nativas mandaçaia (Melipona quadrifasciata) e canudo (Scaptotrigona depilis). Em estruturas padronizadas com ninhos idênticos e aberturas na mesma direção, a taxa de erro de navegação atingiu 59,5%. A simples aplicação de tintas de cores distintas nas caixas reduziu o índice para 37,6%, uma queda de 21,9 pontos percentuais. Já a alteração no sentido das entradas das caixas diminuiu as falhas para 48,1%.


Para rastrear os insetos, a equipe fixou microetiquetas de radiofrequência no dorso das abelhas. Os sensores registraram horários de deslocamento, tempo de voo e taxa de invasão em caixas vizinhas, correlacionando os dados com variações térmicas e de umidade. A doutoranda Ana Paula Cipriano, responsável pelo projeto no grupo de pesquisas britânico, destaca que a tecnologia permite mapear estressores que transformam o erro individual em risco sanitário coletivo.


Além do arranjo físico, o levantamento mediu o impacto do uso de pesticidas como o imidacloprido e o glifosato. A exposição combinada a dosagens realistas dos insumos reduziu o tempo de viagem das operárias em ao menos 34%, afetando a capacidade de coleta de alimento. Segundo o pesquisador Cristiano Menezes, da Embrapa, os agroquímicos comprometem a navegação das espécies nativas de forma análoga ao observado na abelha-europeia (Apis mellifera).

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