Agro

Falta de controle financeiro derruba produtores de tomate e cebola

12 jun 2026 às 16:54

O controle do dinheiro gerado pelo trabalho no campo tornou-se o principal desafio para os produtores de tomate e cebola no Brasil. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, o maior problema dos agricultores nos últimos anos não está na produtividade, mas na liquidez.


Sem esse dinheiro livre, o horticultor perde a capacidade de honrar seus compromissos financeiros e fica sem condições de planejar a próxima safra.


Os pesquisadores do Cepea revelam que uma parcela importante dos produtores que deixaram a atividade recentemente não foi vencida pela lavoura, mas sim pelas dívidas. Muitos desses agricultores dominam perfeitamente as técnicas de campo, sabem como aplicar a irrigação correta, controlar as pragas e conduzir a plantação com eficiência até o momento da colheita. O erro crucial acontece após a retirada dos alimentos da terra, na gestão financeira do negócio.


O risco do endividamento na horticultura

Segundo a análise divulgada pela equipe de hortifrúti do Cepea, produzir sem liquidez funciona exatamente como tentar encher um balde furado. O esforço técnico existe e o trabalho exaustivo na lavoura é realizado, porém o resultado financeiro desaparece antes de retornar para o caixa da propriedade rural. Essa falta de estabilidade econômica impede o reinvestimento na terra e ameaça a sustentabilidade da produção.


A ausência de uma gestão profissional do fluxo de caixa tem desestruturado até mesmo as propriedades consideradas altamente produtivas. Quando o preço de mercado do tomate ou da cebola oscila negativamente, o agricultor que não formou uma reserva de capital imediato não consegue cobrir os custos operacionais e operados pela atividade.


O estudo do Cepea analisa detalhadamente por que esse fenômeno de endividamento acontece com frequência no setor de hortaliças e aponta as principais ações que podem ser feitas para reduzir esse risco econômico. Especialistas em economia agrícola orientam que o planejamento financeiro deve ser rigoroso, separando os custos da família dos gastos da lavoura.

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