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Gripe aviária avança na Europa e 11 países confirmam surtos

23 jan 2026 às 18:24

O ano de 2026 começa com um cenário sanitário crítico para a avicultura na Europa. Em apenas duas semanas, o continente confirmou 42 surtos de Gripe Aviária Altamente Patogênica (H5N1) em granjas comerciais de 11 países. Os dados indicam que esta temporada viral deve ser ainda mais agressiva do que a anterior, elevando o risco biológico global.


A situação é classificada por especialistas como "explosiva". O vírus H5N1 é uma variante do vírus da gripe que afeta principalmente aves, mas possui alta taxa de mortalidade entre os plantéis e exige medidas de biosseguridade rigorosas para evitar o contágio e o prejuízo econômico.


Polônia e França são os epicentros da crise

A Polônia é, atualmente, o país mais afetado pela nova onda. No balanço das duas primeiras semanas do ano, 17 granjas comerciais polonesas foram atingidas. O impacto chega a 1,49 milhão de aves de corte, postura e reprodução, comprometendo a cadeia produtiva de um dos principais exportadores da região.

Na França, o cenário traz um alerta adicional: o vírus rompeu barreiras imunológicas. Mesmo com a vacinação obrigatória em patos, três lotes vacinados no oeste do país foram contaminados. Desde outubro, os franceses já somam 112 focos da doença, com um total de 1,8 milhão de aves afetadas.

A crise também se agrava na Holanda e na Alemanha, dois importantes polos produtivos de proteína animal. Em solo alemão, o estado da Baixa Saxônia concentra a maior parte dos registros, demonstrando que o vírus persiste em regiões de alta densidade avícola. Na Holanda, novos casos em lotes de perus e poedeiras elevaram o total da temporada para 31 surtos.

Avanço na fauna silvestre e novas variantes

A disseminação do vírus não se restringe às granjas. O monitoramento da fauna silvestre revela que o vetor de transmissão continua ativo e diversificado. Nas duas primeiras semanas de janeiro, foram registrados 145 surtos em aves selvagens espalhados por 12 países europeus.

A detecção de novas variantes também preocupa as autoridades sanitárias. Foram identificados os sorotipos H5N2 na Letônia e na Suécia, além do H5N5 na Islândia e variantes do tipo H7 na Ilha da Madeira. Essa mutação e diversificação do mapa de risco biológico dificultam o controle epidemiológico e a eficácia de protocolos de contenção.

O histórico recente mostra uma tendência de alta preocupante para o agronegócio. De acordo com a Comissão Europeia, o ano de 2025 já havia superado os números de 2024 (729 surtos contra 451). O ritmo atual de 2026 sugere que a pressão sanitária continuará a exigir atenção máxima de produtores e autoridades ao redor do mundo.

Gripe aviária no Brasil

O Brasil é um dos poucos países do mundo que conseguiram blindar as granjas comerciais do vírus H1N5. Desde o início da explosão de casos de gripe aviária no mundo, o Brasil registrou apenas 1 caso em uma granja comercial, no Rio Grande do Sul, em maio de 2025. Até hoje, foram registrados 187 casos da doença em aves silvestres e domésticas, o que não influencia no comércio global de carne de frango e ovos.