A inadimplência na carteira de crédito rural direcionada a pessoas físicas atingiu 9,69% no mês de agosto, registrando o maior patamar da série histórica iniciada em 2011 pelo BCB (Banco Central do Brasil). O crescimento expressivo dos débitos em atraso há mais de 90 dias tem elevado o risco de crédito e levado instituições financeiras públicas e privadas a restringirem a concessão de novos financiamentos destinados ao custeio da próxima safra agrícola.
Análises do setor agropecuário e da Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul) indicam que a escalada do endividamento no campo decorre da combinação entre juros elevados, desvalorização dos preços das commodities agrícolas e prejuízos operacionais causados por eventos climáticos adversos. Esse cenário tem gerado trava na liberação de recursos operacionais até mesmo para produtores que mantêm os pagamentos em dia.
Diante da retração na oferta de liquidez, representantes do agronegócio alertam que o aperto financeiro pode comprometer os aportes em insumos e reduzir os níveis de produtividade no campo. Enquanto o governo federal estuda mecanismos governamentais de renegociação de dívidas, entidades do setor cobram o alongamento dos prazos de amortização e condições facilitadas para o refinanciamento dos passivos sem a paralisação do cultivo nas propriedades rurais.