O protagonismo das mulheres no agronegócio tem transformado de forma profunda o cenário da pecuária brasileira, comprovando que a eficiência na gestão e no manejo de alta performance no campo depende de dedicação, conhecimento técnico e competência prática. Um exemplo dessa evolução ocorre no interior de São Paulo, na Fazenda Santo Antônio, sob a liderança da produtora rural Manu, cujas ações ilustram o impacto positivo da liderança feminina no campo.
Há quase 10 anos à frente da propriedade de forma totalmente independente, a pecuarista implementou metodologias modernas com foco total no bem-estar animal. Essa mudança drástica no manejo diário transformou o comportamento do rebanho da raça Nelore Mocho, reduzindo drasticamente os índices de estresse e agressividade, tornando os animais visivelmente mais dóceis para o trabalho no curral.
A rotina operacional da produtora envolve a execução direta de procedimentos zootécnicos essenciais para o balanço financeiro da atividade. Manu atua na realização de partos, casqueamento preventivo, vermifugação estratégica, marcação dos animais, além da pesagem e divisão periódica dos lotes de gado por era e peso.
Mesmo sem uma formação acadêmica prévia em Medicina Veterinária ou Zootecnia, a assistência constante e o rigor sanitário aplicados pela pecuarista resultaram na eliminação completa de focos de verminoses, controle de surtos de diarreia em bezerras e na redução drástica no índice de mortalidade do plantel, que conta atualmente com cerca de 1.200 cabeças de gado.
O panorama do protagonismo feminino no agro
A história de sucesso na fazenda paulista reflete um movimento macroeconômico de expansão da força de trabalho feminina no ambiente rural brasileiro. O mercado hoje apresenta indicadores sólidos sobre essa participação:
Impacto econômico: Dados oficiais consolidados pelo Sebrae apontam que mais de 6 milhões de mulheres atuam diretamente na movimentação da economia rural e do PIB do agronegócio no Brasil.
Diversificação de atividades: A presença feminina rompeu as barreiras dos escritórios. Hoje, as mulheres lideram desde a gestão administrativa e financeira até a operação direta de maquinários pesados (como colheitadeiras de última geração), lida equina e o cultivo de grandes culturas de exportação, como soja, cana-de-açúcar e algodão.
Sucessão familiar acelerada: O processo de transição geracional ganhou força, com filhas e esposas assumindo o comando das propriedades para dar continuidade aos negócios de pais ou cônjuges, introduzindo conceitos modernos de sustentabilidade, rastreabilidade e governança.
Além do impacto porteira a dentro, a conectividade no campo transformou-se em uma aliada estratégica. O compartilhamento da rotina real da lida diária por meio das redes sociais funciona como uma ferramenta de incentivo e intercâmbio de soluções tecnológicas, conectando pecuaristas e agricultoras de diferentes regiões do país e atraindo uma nova geração de jovens profissionais para carreiras no agronegócio.