O Banco do Brasil (BB) registrou uma forte queda no lucro líquido ajustado, somando R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026 — um recuo de 54% em relação ao mesmo período do ano passado. O balanço, divulgado nesta quarta-feira (13), reflete a pressão causada pelo aumento da inadimplência no crédito rural.
Principais Indicadores (1T26)
Lucro Líquido Ajustado: R$ 3,4 bilhões (-54% em 12 meses).
Provisão para Perdas: R$ 16,8 bilhões (+46% em 12 meses).
Inadimplência do Agro (>90 dias): 6,22% (alta de 3,5 p.p. em 12 meses).
Rentabilidade (ROE): 7,3% (queda de 9,4 p.p. em 12 meses).
Carteira Total de Crédito: R$ 1,3 trilhão (+2,2% em um ano).
Crise no Campo e Inadimplência
O setor agropecuário enfrenta dificuldades persistentes desde a quebra da safra de soja em 2024, o que elevou o número de recuperações judiciais entre produtores. Esse cenário obrigou o BB a aumentar significativamente a provisão para perdas, reservando mais recursos para cobrir possíveis calotes no campo, onde o índice de atrasos chegou a 6,22%.
Revisão de Metas (Guidance)
Diante do agravamento do risco no agronegócio e das incertezas geopolíticas e macroeconômicas, o banco revisou sua projeção de lucro para o fechamento de 2026:
Previsão Anterior: R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões.
Nova Previsão: R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões.
Medidas de Recuperação
Para mitigar os impactos, o banco reforçou o programa BB Regulariza Dívidas Agro, que já repactuou R$ 37,9 bilhões em dívidas, atendendo cerca de 25,5 mil produtores rurais. Além das renegociações, a instituição ampliou o uso de garantias e intensificou ações judiciais para recuperação de crédito.
Apesar dos desafios no agro, a carteira de crédito voltada para pessoas físicas apresentou desempenho positivo, impulsionada pelo crédito consignado.