Agro

Mudança climática causa perda de 90% na produção de ostras em Florianópolis

23 abr 2026 às 17:30
A produção aquícola de Santa Catarina enfrenta um cenário crítico devido aos impactos recentes das mudanças climáticas, que levaram à perda de até 90% da produção de ostras em algumas fazendas marinhas de Florianópolis.

O fenômeno, causado pelo aquecimento atípico das águas no último verão, afeta diretamente a região responsável por mais de 90% do abastecimento nacional do molusco.

Entenda o impacto climático

De acordo com especialistas e produtores locais, a mortandade em massa ocorreu em função da elevação da temperatura do mar. Enquanto a média histórica para o período gira em torno de 28 °C, os termômetros chegaram a registrar até 34 °C em determinados pontos de cultivo.


A maricultora Rita, que atua no sul da ilha há 25 anos, relata prejuízos significativos em sua propriedade. Ela explica que as altas temperaturas atingiram especialmente a ostra exótica da espécie gigas, originária da Ásia e muito valorizada no mercado gastronômico.


"Seria a época de estarmos com ostras de tamanho médio para grande, mas as grandes morreram. Eu devo ter perdido 70% da produção", lamenta a produtora, que utiliza o molusco para agregar valor em seu restaurante próprio.

Risco ao emprego e economia local

A crise no setor de maricultura acende um alerta para a manutenção de postos de trabalho em Florianópolis. A atividade é um dos pilares econômicos de Santa Catarina e grande geradora de empregos com carteira assinada. Com a queda drástica na oferta de ostras, produtores temem não conseguir sustentar a mão de obra atual.


"Vai levar um tempo para a gente se recuperar. Quem tem muita mão de obra vai ter que demitir? Isso vai causar um rebuliço na praia", analisa a maricultora.

Auxílio emergencial aos produtores

Para mitigar os danos econômicos e auxiliar na recuperação das fazendas marinhas, o governo do estado aprovou nesta semana uma linha de crédito emergencial. O apoio financeiro é voltado ao custeio da atividade, incluindo a compra de sementes de ostras, que possuem custo elevado.


O financiamento oferece até R$ 50 mil por produtor, com carência e prazo de pagamento de cinco anos sem juros. Além disso, a modalidade conta com um rebate (desconto) de 40% sobre o valor total do financiamento. A medida é vista como essencial para garantir a continuidade da produção nas próximas safras, dada a importância estratégica do molusco para o estado.

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