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Mulheres gerenciam 19% das terras rurais, mas sofrem com desigualdade

Estudo inédito da Fundação IDH revela barreiras no acesso à terra e aponta que gestoras controlam somente 8,5% da área total do país
30 jun 2026 às 13:30
Por: Band
Reprodução/Congresso Nacional das Mulheres do Agro

Um estudo inédito realizado pela Fundação IDH, no âmbito do Fundo AGRI3, revelou que as mulheres estão no comando de 19% das propriedades agrícolas no Brasil. Ao todo, são cerca de 947 mil fazendas gerenciadas por elas. No entanto, o levantamento joga luz sobre uma severa desigualdade fundiária no setor: embora liderem quase um quinto dos estabelecimentos, as produtoras controlam apenas 8,5% da área rural total do país, o que soma cerca de 30 milhões de hectares.


A pesquisa aponta que a liderança feminina está fortemente concentrada em minifúndios, com 77,8% das terras geridas por elas correspondendo a propriedades de até 20 hectares. Segundo os analistas, esses pequenos negócios estão atrelados principalmente à agricultura familiar e a processos de herança. A disparidade de gênero também se reflete na remuneração: apenas 17,4% das mulheres no campo recebem acima de três salários mínimos, enquanto o percentual masculino na mesma faixa de renda ultrapassa os 30%.


Ao traçar um raio-X por cadeias produtivas, o diagnóstico identificou que a pecuária é o principal motor de transição, registrando um salto de 55% no número de gestoras entre 2006 e 2017. Atualmente, 450,7 mil mulheres chefiam a atividade. Em outros setores, a participação feminina na liderança varia: elas comandam 22% das propriedades de cacau, 18% na citricultura, 17% na cadeia da soja (chegando a 34,5% nos agroserviços) e 13,2% no café. A menor representatividade foi identificada no setor sucroenergético, onde as mulheres compõem apenas 8,8% da força de trabalho da cana-de-açúcar.


Além dos desafios financeiros e territoriais, as produtoras rurais enfrentam gargalos institucionais para expandir seus negócios. O estudo revelou que 31% das gestoras não têm nenhum acesso à assistência técnica e orientação produtiva. O cenário é agravado pela baixa participação no sistema associativo: somente 8,6% dos membros de cooperativas agrícolas no Brasil são mulheres, o que limita o poder de barganha de insumos e o desenvolvimento de lideranças femininas no agronegócio.

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