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Nova safra de cana começa com cautela e expectativa de moagem recorde no Centro-Sul

Conflitos no Oriente Médio e preço do petróleo devem ditar os rumos do álcool e da gasolina nos próximos meses
07 abr 2026 às 11:18
Por: Cepea
Wenderson Araujo

O mercado de combustíveis encerrou o ciclo 2025/26 com os preços dos etanóis em patamares superiores aos da temporada anterior no estado de São Paulo. De acordo com o Indicador CEPEA/ESALQ, o etanol hidratado, que é aquele utilizado diretamente nos tanques dos carros, registrou uma média de R$ 2,78 por litro, o que representa uma alta real de 6,52% frente ao período passado. Já o etanol anidro, misturado à gasolina, seguiu o mesmo ritmo de valorização e fechou com média de R$ 3,12 por litro, mostrando que o setor sucroenergético conseguiu sustentar valores mais elevados apesar das oscilações da economia.


Mesmo com os preços mais caros, o volume total de etanol hidratado vendido pelas usinas paulistas despencou 28% na última temporada. Segundo os pesquisadores do Cepea, o mês de maio de 2025 foi o ponto alto das negociações, enquanto julho registrou o menor movimento de vendas nas usinas. Um dado curioso é que, ao longo de todo o ano, a relação entre o preço do álcool e da gasolina C nos postos permaneceu abaixo dos 70%, o que garantiu uma vantagem econômica para o motorista que optou pelo biocombustível na hora de abastecer.


A nova safra 2026/27, que começou oficialmente na última quarta-feira, dia 1º de abril, chega cercada de uma postura de maior cautela por parte dos produtores e investidores. O ambiente de incerteza é alimentado pela volatilidade no preço internacional do petróleo e pela perspectiva de um aumento na oferta de etanol, especialmente o fabricado a partir do milho. Além disso, os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio são vistos como fatores decisivos que podem mudar a estratégia das usinas brasileiras a qualquer momento, dependendo de como o barril de petróleo se comportar no mercado global.


As projeções iniciais para a moagem de cana-de-açúcar na região Centro-Sul são otimistas, com uma estimativa de processar entre 625 e 630 milhões de toneladas, um crescimento de até 4% em relação ao ciclo atual. Esse aumento na produção pode ajudar a equilibrar os estoques, mas o cenário de instabilidade externa exige atenção redobrada. Para o consumidor, resta acompanhar se essa maior oferta de matéria-prima vai se traduzir em preços mais baixos nas bombas ou se o custo de produção e o cenário mundial manterão o etanol nos níveis de preço registrados no último ano.

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