A nutrição animal consolida-se como um dos principais fatores para a eficiência da avicultura brasileira, setor em que o consumo per capita foi estimado em 46,7 quilos por habitante em 2025, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). A formulação da dieta das aves deixou de ser apenas a entrega de ração e passou a envolver ciência, monitoramento digital e controle biológico.
De acordo com a líder de tecnologia para aves da Cargill Nutrição e Saúde Animal, Juliana Vieira Marques de Souza Pereira Batista, a escolha dos insumos exige planejamento estratégico. Um dos equívocos mais comuns na atividade é priorizar apenas o custo financeiro imediato da ração em detrimento do equilíbrio nutricional requerido pelas aves.
Juliana destaca que a nutrição envolve decisões diárias no campo que afetam diretamente o ganho de peso, a conversão alimentar e o bem-estar dos lotes ao longo de todo o ciclo de criação. O sistema digestivo dos frangos tornou-se o foco das atenções técnicas da avicultura moderna. É no intestino que ocorre a absorção dos nutrientes essenciais para o crescimento e a transformação do alimento em carne.
A avicultura de corte apoia-se cada vez mais na análise de dados para nortear as decisões no campo. Ferramentas analíticas e modelos de inteligência artificial monitoram o comportamento dos animais e antecipam possíveis desafios sanitários ou ambientais nas instalações. Esses modelos preditivos permitem que o produtor faça correções na quantidade e no perfil dos nutrientes de acordo com cada fase de crescimento do lote.
A líder da Cargill reforça que o valor da tecnologia reside na capacidade de transformar o volume de dados coletados diariamente em conhecimento prático para apoiar a gestão na granja.
O alinhamento do manejo exige trabalho conjunto entre médicos-veterinários, zootecnistas, agrônomos e produtores rurais. Essa cooperação técnica assegura padronização e regularidade na oferta de proteína animal no mercado.