Agro

Preço do café cai mais de 4% nos supermercados após alta recorde

14 jun 2026 às 08:00

O mercado do café no Brasil apresenta uma forte tendência de queda nos preços após meses consecutivos de altas históricas, trazendo alívio para o orçamento das famílias e estimulando o consumo da segunda bebida mais popular do país. De acordo com o Índice de Preços dos Supermercados, apurado pela Apas/Fipe, o produto já registrou uma redução de até 4,41% no varejo brasileiro.


O principal fator por trás dessa deflação é o aumento expressivo da oferta. Estimulados pelos longos períodos de margens altas nos anos anteriores, os cafeicultores expandiram as áreas de cultivo e investiram em manejo, contando ainda com condições climáticas favoráveis para o desenvolvimento das lavouras nas principais regiões produtoras.


Para o ano de 2026, a estimativa oficial aponta para uma verdadeira super-safra de café, projetada em aproximadamente 66 milhões de sacas de 60 quilos. O volume recorde consolida o Brasil na liderança isolada da produção e da exportação mundial da commodity.


Comparativo de valores e tombo no campo


Os preços da saca de 60 kg do café tipo arábica demonstram um recuo expressivo no mercado atacadista quando comparados ao teto histórico registrado no primeiro trimestre do ano:


  • Fevereiro (Pico Histórico): A saca era comercializada próxima de R$ 2.800,00, cenário provocado pela escassez física de produto e forte pressão inflacionária global.

  • Momento Atual (Junho de 2026): O valor da saca recuou para a faixa de R$ 1.500,00, o que representa um tombo de aproximadamente 44% em relação ao pico do início do ano.


Tendências para o varejo e fatores de risco


Especialistas em agronegócio apontam que a tendência de baixa deve continuar nos supermercados à medida que a entrada física da nova colheita avance no mercado interno. Contudo, as reduções devem ocorrer de forma mais sutil nas próximas semanas, caminhando para um período de estabilização de preços nas gôndolas.


O setor produtivo faz um alerta importante: o preço final cobrado do consumidor não acompanha integralmente a queda do grão na lavoura. O produto final é impactado diretamente por outros custos operacionais da cadeia, como logística, transporte, processos de torrefação industrial e os insumos das embalagens.


Além disso, a estabilidade do mercado de commodities segue sujeita a fatores climáticos imprevistos, como frentes frias extremas, geadas ou temporais severos no cinturão cafeeiro do Brasil e de concorrentes globais, eventos que podem frustrar a próxima floração e colheita, alterando novamente as cotações internacionais na Bolsa de Nova York.

Veja Também