Os preços dos alimentos comercializados na capital paulista registraram uma queda média de 0,63%, impulsionados principalmente pelo desempenho da produção no campo, segundo dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O resultado representa a terceira retração mensal consecutiva do indicador e a maior queda registrada desde setembro do ano passado.
De acordo com o levantamento do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), dos dez itens que apresentaram maior recuo no período, sete possuem ligação direta com o agronegócio. Produtos de amplo consumo como tomate, arroz, café, frango e carne bovina foram os principais responsáveis por pressionar a inflação de alimentos para baixo.
Fatores de queda nas prateleiras
A desaceleração dos preços no varejo reflete uma combinação de fatores operacionais e sazonais na agricultura. A evolução no ritmo de colheita das safras, o aumento na oferta de produtos e a acomodação de itens que acumulavam altas expressivas nos meses anteriores explicam o movimento de alívio ao consumidor.
Entre os principais destaques de baixa, o café registrou uma retração de 5,6% nas prateleiras dos supermercados. No segmento de proteínas animais, os cortes de carne bovina ficaram 1% mais baratos, enquanto a carne de frango teve recuo de 1,4% no indicador mensal.
Alertas no campo e no mercado externo
Apesar do alívio momentâneo, o cenário exige monitoramento do setor produtivo. Itens da cesta básica como batata e leite mantêm trajetória de elevação, enquanto instabilidades climáticas associadas a fenômenos como o El Niño ainda geram incertezas quanto ao volume da produção agrícola para o segundo semestre.
Ademais, as oscilações nas cotações internacionais de commodities agrícolas — a exemplo do trigo e do arroz — e as variações na oferta interna continuam impactando os custos de estocagem, logística e distribuição no mercado nacional.