Agro

Preços baixos e riscos climáticos fazem produção de trigo recuar no Brasil

22 abr 2026 às 08:56

O mercado brasileiro de trigo deve enfrentar um cenário de oferta restrita em 2026, com a produção nacional caminhando para o seu menor patamar desde 2020. De acordo com dados recentes do Cepea e da Conab, a safra deve fechar em 6,6 milhões de toneladas, o que representa uma queda expressiva de 16% em comparação ao ano anterior. Esse recuo na produção — que significa mais de 1,2 milhão de toneladas a menos no mercado — já começou a dar sustentação aos preços internos do cereal, preocupando o setor produtivo.


A principal causa para esse encolhimento é a redução da área plantada, que deve somar apenas 2,22 milhões de hectares, uma diminuição de 9,2% em relação a 2025. Embora estados como Minas Gerais tenham apresentado um leve aumento, o Rio Grande do Sul sofreu uma revisão negativa drástica em suas projeções. Além da área menor, a produtividade média também caiu, ficando estimada em 2.979 kg/ha, reflexo direto de um clima que não tem colaborado com os agricultores.


Pesquisadores apontam que o desânimo no campo vem de longe: a baixa rentabilidade nas últimas safras e as incertezas na hora de vender o grão afastaram o produtor. No Sul do País, os preços vêm sendo negociados abaixo do mínimo estabelecido pelo governo desde o segundo semestre de 2025, o que torna o plantio pouco atraente diante dos altos riscos. Sem incentivo financeiro e com o clima jogando contra, o campo entrega menos trigo, o que pode refletir diretamente no custo de alimentos derivados nas gôndolas dos supermercados.


Com o cenário de menor oferta, a tendência é que os preços sigam pressionados nos próximos meses. A situação coloca o Brasil em uma posição de maior dependência da importação de trigo de países vizinhos para suprir a demanda interna das panificadoras e indústrias de massas. Especialistas seguem monitorando as condições das lavouras remanescentes, mas o alerta de uma safra magra para 2026 já está consolidado.

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