Agro

Preços de fertilizantes disparam em todos os países do mundo

09 mar 2026 às 19:35

Os preços dos fertilizantes nitrogenados registraram altas significativas nos últimos dias em diversos mercados, incluindo o Brasil, como reflexo direto do agravamento dos conflitos no Oriente Médio. De acordo com dados da consultoria Stonex, a valorização foi impulsionada pela redução na oferta global e por dificuldades logísticas na exportação de insumos estratégicos para o campo.


Nos portos brasileiros, a ureia registrou alta superior a 15% em apenas uma semana. Já o nitrato de amônio apresentou um aumento ainda mais expressivo, com valorização de cerca de 28%, o que representa uma subida de mais de US$ 100 por tonelada no mesmo período.


De acordo com o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, o movimento de preços está diretamente ligado às incertezas geopolíticas e aos impactos concretos na cadeia de suprimentos. Pernías ressalta que, logo após o início do conflito, “muitos fornecedores retiraram suas ofertas do mercado internacional enquanto aguardavam maior clareza sobre o cenário”. “Ao mesmo tempo, houve redução da produção de nitrogenados no Catar após ataques no país, o que já indica uma diminuição na disponibilidade global de mercadorias”, afirma o analista. 


O nitrogenado é um tipo de fertilizante essencial para o desenvolvimento das plantas, fornecendo nitrogênio, um dos nutrientes mais exigidos pelas culturas agrícolas.

Gargalos logísticos no Estreito de Hormuz

Outro fator que pressiona as cotações é a situação logística na região. A navegação no Estreito de Hormuz, rota estratégica para o comércio global de insumos e energia, tem sido prejudicada. O bloqueio ou a dificuldade de trânsito nessa via compromete o escoamento de fertilizantes, gás natural e enxofre produzidos no Oriente Médio.


“De forma geral, o Oriente Médio responde por cerca de 40% das exportações mundiais de ureia. Qualquer interrupção prolongada nessa região pode gerar impactos significativos na oferta global, especialmente se o conflito se estender por semanas ou meses”, explica Pernías.


No curto prazo, os Estados Unidos devem sentir primeiro os efeitos dessa redução na oferta global. O país atravessa um período crucial de preparação para a safra de primavera, momento em que a demanda por fertilizantes ganha força devido às condições climáticas favoráveis para aplicação no campo.


Para o Brasil, o impacto tende a ser mais gradual. As compras de fertilizantes nitrogenados pelos produtores brasileiros costumam se intensificar nos meses finais do ano, período que antecede o plantio da safrinha de milho. A safrinha refere-se ao cultivo de segunda safra, plantado após a colheita da safra principal de verão, que neste momento está no pico.


Pernías avalia que muitos importadores podem adotar uma postura de cautela. “O nível de incerteza é elevado e não há garantia de que os preços estarão mais favoráveis nas próximas semanas. A falta de previsibilidade torna o comportamento do mercado de fertilizantes especialmente difícil de antecipar neste momento”, conclui o analista.

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