O mercado spot de soja ganhou ritmo nos últimos dias, com aumento na liquidez e nos preços. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, a maior necessidade de indústrias e exportadoras por grãos para entrega imediata impulsionou as negociações e elevou os prêmios de exportação, sobretudo para embarques no curto prazo.
O cenário é de queda de braço entre compradores e vendedores. Produtores seguem cautelosos diante das incertezas climáticas e evitam novas vendas, apostando em preços mais atrativos adiante. No Sul e no Nordeste, o déficit hídrico preocupa e reduz o ritmo das negociações. Já no Sudeste, o excesso de chuvas tem paralisado a colheita em algumas áreas, limitando a oferta física no mercado.
Por outro lado, há fatores que restringem altas mais expressivas. A valorização do real frente ao dólar reduz a competitividade da soja brasileira no mercado internacional. Além disso, a expectativa de estoques globais mais elevados atua como freio para movimentos mais intensos de valorização.
Mesmo com entraves logísticos e climáticos pontuais, as projeções para a safra 2025/26 indicam produção recorde no Brasil. A Companhia Nacional de Abastecimento estima colheita de 177,98 milhões de toneladas, enquanto o United States Department of Agriculture projeta 180 milhões de toneladas. Caso confirmadas, as estimativas podem pressionar os preços no longo prazo.
No Porto de Paranaguá, a soja disponível para entrega imediata mantém patamares firmes, sustentada pelos prêmios elevados, mesmo diante de oscilações negativas na Chicago Board of Trade. A demanda chinesa por embarques rápidos segue como principal fator de sustentação desses prêmios positivos.