A produção de mel no Brasil é reconhecida pela qualidade, mas o setor enfrenta desafios no mercado internacional e também dentro do país. Entre os principais problemas estão as restrições impostas pela União Europeia e a falsificação do produto.
No mercado externo, a União Europeia impõe restrições ao mel brasileiro devido à suspeita de utilização de antimicrobianos na produção. A medida afeta diretamente as exportações e representa um obstáculo para os produtores nacionais.
Já no mercado interno, uma das principais preocupações é a adulteração do mel. Produtos podem receber açúcar ou outras substâncias para reduzir os custos de produção, prejudicando a concorrência e a qualidade do produto oferecido ao consumidor.
Como reconhecer um mel de qualidade
Para escolher um produto de qualidade, consumidores devem ficar atentos às características do mel e à procedência.
Segundo um produtor ouvido na reportagem, quanto mais escuro o mel, maior seria a concentração de propriedades medicinais.
Outro destaque são os produtos produzidos por abelhas nativas, que apresentam baixo teor ou ausência de sacarose.
No Paraná, um meliponário mantém 16 espécies diferentes de abelhas nativas, entre elas a uruçú-amarela. Por não possuir ferrão, essa espécie permite o manejo das colmeias sem a necessidade do uso de roupas de proteção.
Mercado orgânico em expansão
Apesar das dificuldades, o mercado de mel orgânico brasileiro vem crescendo.
Segundo o produtor entrevistado, o mel pode ser considerado orgânico quando as abelhas são manejadas adequadamente e sem a utilização de produtos que comprometam essa característica.
O setor também apresenta crescimento nas exportações. No Paraná, as vendas externas de mel dobraram no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2025.
O avanço mostra o potencial do mercado brasileiro, enquanto produtores buscam ampliar a presença do produto nacional e superar os desafios impostos pelo comércio internacional e pela concorrência com produtos adulterados.