O problema é que o preço veio caindo mês a mês durante todo o ano e os produtores viram o preço cair 25,8% em 2025. A média anual de preços ficou em R$ 2,5617 por litro, valor 6,8% inferior ao registrado no ano anterior, refletindo um mercado pressionado pelo excesso de oferta. Para os consumidores finais, porém, o preço do leite não baixou.
O principal fator para os recuos sucessivos no campo é o elevado volume de estoques de derivados lácteos nas indústrias. Ao longo de 2025, a oferta de leite aumentou consideravelmente devido aos investimentos feitos em 2024 e ao clima favorável, que beneficiou as pastagens. Embora o Índice de Captação de Leite (ICAP-L) tenha apresentado uma leve retração de 0,41% entre novembro e dezembro, o saldo do ano foi de um crescimento de 15,4% na produção. Esse volume excedente, somado às importações, manteve o mercado saturado.
As importações, inclusive, desempenharam um papel crucial na manutenção dos estoques elevados. Em 2025, o Brasil adquiriu 2,21 bilhões de litros em equivalente leite do exterior. O volume é apenas 5,9% menor que o recorde histórico de 2024, mantendo a pressão sobre os preços domésticos.
Margem do produtor e o impacto do milho
A situação financeira das propriedades rurais tornou-se mais delicada. Enquanto o preço de venda do leite despencou, os custos de produção permaneceram estáveis, o que resultou em um estreitamento das margens de lucro. O Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 0,57% na média nacional.
Para o pecuarista de leite, um dos maiores desafios atuais é o poder de compra em relação aos insumos. O milho, base da ração animal, valorizou-se e dificultou a conversão. Em dezembro, o produtor precisou de 34,87 litros de leite para comprar uma saca de 60 kg de milho.
Esse índice de troca é 9,04% superior ao de novembro e está 21,7% acima da média dos últimos 12 meses. Na prática, o pecuarista está gastando muito mais leite para alimentar o rebanho, o que compromete a viabilidade da atividade no curto prazo.
Queda nos derivados e consumo
A pressão chega também às gôndolas e nas negociações entre laticínios e canais de distribuição. De acordo com o levantamento do Cepea em parceria com a OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), os principais derivados registraram baixas em dezembro.
O leite UHT (caixinha) teve a queda mais expressiva, recuando 6,67% em termos reais. O queijo muçarela e o leite em pó também apresentaram variações negativas de 1,38% e 0,79%, respectivamente. Esse cenário indica que, apesar dos preços menores para o consumidor, a cadeia produtiva enfrenta dificuldades para equilibrar a balança entre oferta e demanda.