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Safra de laranja: clima instável gera incertezas para produtores em 2026

Altas temperaturas provocam queda de frutos e frente fria traz novos desafios; demanda por laranja de mesa dispara no mercado brasileiro
23 jan 2026 às 18:26
Por: Band
Reprodução/FAEP

O setor citrícola brasileiro acompanha com preocupação os impactos das variações climáticas no desenvolvimento da futura safra 2026/27. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a instabilidade meteorológica registrada em janeiro acendeu o sinal de alerta nas principais regiões produtoras de citros do país.


Apesar do retorno das chuvas no início do ano, as altas temperaturas registradas em diversas regiões citrícolas provocaram prejuízos diretos nas lavouras. O calor excessivo levou à queda de frutos que estavam em diferentes estágios de desenvolvimento, o que pode comprometer o volume final da colheita futura.


Clima instável e queda de frutos preocupam o setor

De acordo com pesquisadores do Cepea, a situação climática se tornou ainda mais complexa nos últimos dias com a chegada de uma frente fria. Esse fenômeno trouxe ventos fortes e um aumento na chamada amplitude térmica — que é a diferença entre a temperatura máxima e a mínima registrada no mesmo dia.

Essa oscilação brusca de temperatura é prejudicial para o desenvolvimento das laranjeiras, que demandam condições mais estáveis para fixar os frutos nos galhos. Segundo agentes consultados pelo centro de pesquisas, ainda é prematuro realizar projeções exatas sobre o tamanho total da safra 2026/27, mas o clima permanece como o principal fator de incerteza para o mercado.

No campo, o produtor rural enfrenta o desafio de manejar as plantas sob constante estresse térmico. Quando a laranjeira sofre com o calor extremo seguido de ventos frios, ela acaba "abortando" os frutos menores para preservar sua própria energia e sobrevivência, o que reduz drasticamente a produtividade "da porteira para dentro".

Calor eleva demanda por laranja de mesa

Se por um lado o clima preocupa a produção futura, por outro ele aquece o mercado atual. O forte calor registrado em janeiro elevou significativamente a procura por laranja de mesa pelo consumidor final. Com as temperaturas elevadas, a busca por frutas cítricas e sucos naturais cresce naturalmente nas cidades brasileiras.

Houve momentos, inclusive, em que os produtores e distribuidores encontraram dificuldades para atender a todos os pedidos enviados pelo varejo. Essa escassez pontual, aliada à alta qualidade exigida pelo setor de frutas frescas, pressionou os preços para cima. Laranjas com bom tamanho e padrão estético superior foram negociadas com valores bem mais valorizados nas últimas semanas.

Entenda o que é 'ratio' e 'amplitude térmica'

Para quem não está familiarizado com o dia a dia do campo, alguns termos técnicos explicam a valorização das frutas. O "ratio", por exemplo, é a relação entre a quantidade de açúcar (chamado de brix) e a acidez da fruta. É esse índice que determina se a laranja está no ponto ideal de maturação para o consumo direto ou para o processamento industrial.

Já a "amplitude térmica" é um conceito fundamental para entender o desenvolvimento vegetal. Plantas cítricas precisam de equilíbrio; quando o dia é muito quente e a noite é muito fria, a planta entra em um estado de defesa que pode afetar o sabor, o tamanho e a resistência da casca da fruta.

Já "safra 2026/27" refere-se ao ciclo de produção que começa a ser preparado agora, mas cuja colheita principal ocorrerá entre o próximo ano e o seguinte. Como a citricultura é uma atividade de longo prazo, qualquer problema climático registrado hoje reflete diretamente no que o consumidor encontrará nas prateleiras dos supermercados e feiras daqui a alguns meses.

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