O clima instável que atingiu as principais regiões produtoras de trigo no mundo, somado aos conflitos entre Rússia e Ucrânia — dois gigantes na produção do cereal —, ameaça deixar o pãozinho mais caro no Brasil nos próximos meses. A alta nas bolsas de valores acontece em um momento delicado, já que o consumo interno brasileiro ainda depende muito da importação de mercadorias de fora.
De acordo com as projeções atuais da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra brasileira de trigo deve fechar em 6,2 milhões de toneladas. O volume representa praticamente a metade do que a população consome e é 20% menor do que a quantidade colhida no ano passado.
Por enquanto, o preço final nas padarias ainda não sofreu o impacto desse nervosismo internacional. No entanto, especialistas do setor alertam que o cenário vai mudar em breve. A chegada do fenômeno El Niño deve trazer mais incertezas para as lavouras globais, e os Estados Unidos já avisaram que esperam a pior colheita dos últimos 50 anos.
Guerra e caminhos fechados encarecem o grão
A escalada da guerra na Europa provocou uma alta de mais de 3% no preço do trigo nas negociações da Bolsa de Chicago neste mês de julho de 2026. O motivo principal para essa disparada é o medo de que as rotas de navios pelo Mar Negro e Mar de Azov sejam bloqueadas, interrompendo a distribuição mundial do alimento.
Essa alta preocupa os donos de moinhos no Brasil, que já pagam mais caro pela matéria-prima. O repasse desse custo para as prateleiras dos supermercados e padarias só não aconteceu de forma imediata por causa de dois fatores:
O Brasil ainda tem alguns estoques guardados;
O país compra a maior parte do seu trigo da Argentina, que tem um preço mais competitivo e não sofreu repasses imediatos da crise europeia.
Apesar desse alívio temporário provocado pelo comércio com os vizinhos argentinos, analistas reforçam que a estabilidade não vai durar muito tempo. O consumidor brasileiro deve começar a sentir o bolso pesar na hora de comprar o pão francês na virada para 2027.