O avanço do super El Niño ameaça a integridade das três maiores florestas tropicais do planeta: a Amazônia, a bacia do Congo e a vegetação do Sudeste Asiático. O aquecimento atípico das águas do Oceano Pacífico tem reduzido drasticamente o volume de chuvas nessas regiões, elevando o risco de queimadas de grande proporção e secas severas.
No Brasil, os impactos já atingem índices alarmantes. Apenas em 2026, a Amazônia registrou 41.224 focos de calor, montante 63,4% superior ao contabilizado no mesmo período de 2025. A gravidade da situação levou o estado do Amazonas a decretar situação de emergência em 36 municípios, incluindo a capital Manaus, diante da rápida queda no nível de importantes bacias hidrográficas, como os rios Juruá e Marañón.
Além do desastre ambiental, o fenômeno afeta diretamente a economia e o agronegócio nacional durante o plantio da safra de verão 2026/2027. Produtores das regiões Norte, Nordeste e de Mato Grosso enfrentam intenso estresse hídrico no solo, enquanto as lavouras do Sul sofrem com o excesso de chuvas. O cenário também acende o alerta para os reservatórios de hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste, que operam próximos à cota de atenção.