A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram, nesta sexta-feira (8), a Operação Caronte, que resultou na apreensão do touro Império, avaliado em R$ 1 milhão. O animal, que ocupa o terceiro lugar no ranking nacional de rodeios, é apontado como peça central em um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado.
A investigação mira o patrimônio de Eduardo Magrini, conhecido como "Diabo Loiro". Segundo as autoridades, o investigado utilizava a Companhia de Rodeio Du Fenômeno e outros "laranjas" para ocultar bens adquiridos com recursos do tráfico internacional de drogas.
Atleta de elite e ativo financeiro
O touro Império não era apenas um fenômeno das arenas. Além de sua performance em competições da Confederação Nacional de Rodeio (CNAR), o animal era utilizado para o melhoramento genético. A venda de sêmen e as premiações em dinheiro serviam, de acordo com a polícia, para integrar capital ilícito ao sistema financeiro legal.
Conexões investigadas
Eduardo Magrini, que já cumpre pena desde o ano passado, possui histórico de atuação nos setores de transporte e eventos. O filho do empresário, Mateus Magrini, também é alvo das investigações por movimentações financeiras suspeitas em empresas do ramo musical.
A Justiça determinou que o touro Império fique sob a guarda de um fiel depositário. O animal deve seguir recebendo cuidados técnicos enquanto o processo judicial avança, mas suas atividades comerciais e de competição estão suspensas até nova decisão.
Durante a operação, os agentes cumpriram mandados em cidades como Campinas, Indaiatuba e Atibaia. Além do touro, foram bloqueados cerca de R$ 10 milhões em contas bancárias e apreendidos outros 300 animais, veículos de luxo e imóveis.