Agro

Trigo de baixa qualidade reduz oferta e sustenta preços no Brasil

20 out 2026 às 07:46

As condições climáticas adversas têm dificultado a colheita do trigo no Brasil e comprometido a qualidade dos grãos, limitando a oferta do cereal com padrão adequado para comercialização. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a disponibilidade restrita de trigo tipo 1 e a recente valorização do dólar ajudam a sustentar os preços no mercado brasileiro, mesmo diante de quedas nas cotações internacionais.


O cenário aumenta a preocupação do setor com o abastecimento interno e mantém a necessidade de importação para atender à demanda da indústria moageira.


Conab reduz estimativas em São Paulo e Goiás


No levantamento divulgado em outubro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) manteve praticamente estável a estimativa nacional de produção de trigo em relação à previsão de setembro.


Apesar disso, houve revisão para baixo nas projeções de São Paulo e Goiás. O maior corte em volume ocorreu em São Paulo, onde parte dos grãos colhidos não atingiu os requisitos de qualidade necessários para a comercialização.


As condições climáticas durante a colheita têm sido um dos principais desafios para os produtores. Além de dificultar os trabalhos no campo, o excesso de umidade pode afetar características importantes para o aproveitamento industrial do cereal.


Trigo de qualidade sustenta preços


De acordo com pesquisadores do Cepea, a oferta limitada de trigo tipo 1, que atende a padrões superiores de qualidade, contribui para sustentar as cotações no mercado de lotes.


A recente reação do dólar também favorece os preços internos, uma vez que influencia o custo de aquisição do produto importado.


Mesmo com as quedas nas cotações internacionais, a disponibilidade restrita de grãos nacionais com qualidade adequada mantém compradores atentos à oferta e às condições de negociação.


Importações devem crescer 15,1%


Diante da oferta interna limitada, a necessidade de compras externas continua elevada. A Conab manteve a previsão de importação de 7,06 milhões de toneladas de trigo em 2026, volume 15,1% superior ao registrado em 2025.


As importações são importantes para complementar a produção nacional e garantir o abastecimento das indústrias que utilizam o cereal na fabricação de farinha, pães, massas e outros alimentos.


A evolução da colheita, a qualidade dos grãos e o comportamento do dólar devem continuar entre os principais fatores de atenção do mercado nas próximas semanas.

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