Agro

Valorização externa e custos logísticos pressionam preços do algodão no Brasil

18 mar 2026 às 09:26

Os preços do algodão em pluma reagiram nos últimos dias no Brasil, superando a marca de R$ 3,60/lp, após operarem desde outubro de 2025 em um intervalo mais estreito, entre R$ 3,40/lp e R$ 3,50/lp. O impulso, segundo pesquisadores do Cepea, veio das recentes valorizações externas da pluma, do período de entressafra no País e do aumento dos custos logísticos, sobretudo com a alta do diesel, fatores que têm mantido vendedores firmes nos valores pedidos.


Parte dos compradores, por sua vez, ainda de acordo com o Cepea, se mostra disposta a pagar mais por novos lotes no mercado spot, enquanto outra parcela permanece focada no cumprimento de contratos a termo e atenta às vendas de manufaturados. Essa dualidade no comportamento dos agentes reflete a cautela do setor têxtil diante da volatilidade dos custos de produção. A escassez de lotes de alta qualidade na entressafra também contribui para a sustentação dos preços elevados no mercado interno.


Especialistas apontam que a manutenção desse patamar de preços dependerá da fluidez das exportações brasileiras e da paridade com a Bolsa de Nova York. Com o diesel pressionando o frete, as indústrias de beneficiamento buscam otimizar a logística para evitar repasses excessivos ao consumidor final. A expectativa dos produtores é de que a firmeza nas cotações persista até a entrada da nova safra, prevista para meados do segundo semestre de 2026.


O cenário internacional, marcado por incertezas climáticas em outros grandes países produtores, também favorece a competitividade do algodão brasileiro. No mercado físico, a liquidez tem sido pontual, com fechamentos ocorrendo principalmente para atender necessidades imediatas de fiação. O monitoramento das margens da indústria de confecção será crucial para entender até que ponto o mercado suportará novos reajustes na matéria-prima nos próximos meses.

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