O avanço dos tratamentos farmacológicos contra a obesidade, com o uso de medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, tem gerado debates sobre seus impactos metabólicos e reflexos na saúde capilar. Segundo a médica tricologista Márcia Dertkigil, a relação entre a perda de peso induzida por esses compostos e a dinâmica do couro cabeludo está associada aos processos inflamatórios do organismo.
A médica destaca que tanto a obesidade quanto diferentes formas de alopecia (perda parcial ou total de cabelos) possuem componentes inflamatórios crônicos. Ao reduzir a inflamação corporal geral, as substâncias utilizadas no tratamento metabólico alcançam o ambiente dos folículos pilosos (estruturas responsáveis pela produção e crescimento dos fios). No entanto, a especialista enfatiza que os fármacos não constituem indicação terapêutica para a queda de cabelo.
Outro ponto de atenção ressaltado pela profissional é o risco de eflúvio telógeno — condição caracterizada pela perda temporária e acentuada de fios —, frequentemente desencadeada por perdas de peso corporais abruptas e restrições calóricas severas. "Quando o emagrecimento ocorre de forma muito rápida, é fundamental monitorar a massa magra, a alimentação e o estado nutricional do paciente. Não é adequado atribuir a queda de cabelo exclusivamente à medicação", pontua Dertkigil.
A tricologista defende uma abordagem médica integrada, alinhada a especialidades como a cardiologia, a nefrologia e a endocrinologia, ressaltando que o tratamento da obesidade requer acompanhamento contínuo e a determinação da menor dose terapêutica eficaz, combinando a avaliação do metabolismo, do sistema hormonal e dos exames laboratoriais.