O céu do Brasil registra a ocorrência de um evento astronômico duplo nas madrugadas de 30 e 31 de julho, quando duas chuvas de meteoros atingem o pico de atividade simultaneamente. O país está em uma posição geográfica privilegiada para a observação da Delta Aquáridas do Sul e da Alfa Capricornídeas.
O principal desafio para os observadores neste ano é a presença da Lua, que chega ao pico de luminosidade logo após a fase cheia, mantendo cerca de 98% de sua iluminação. A luz refletida pelo satélite natural reduz a visibilidade dos meteoros menos intensos. No entanto, os rastros mais brilhantes da Delta Aquáridas e os bolídeos das Alfa Capricornídeas continuam visíveis a olho nu.
Para acompanhar o espetáculo celestial, o momento mais favorável ocorre entre a meia-noite e o amanhecer, com janela ideal de observação concentrada entre 2h e 4h da manhã. Especialistas orientam a não utilizar equipamentos como binóculos ou telescópios, pois o uso de lentes reduz o campo de visão necessário para captar os rastros luminosos.
O tempo de adaptação dos olhos ao escuro leva entre 20 e 30 minutos, período no qual se deve evitar o uso de telas de celular.
Entenda a origem e a mecânica das chuvas de meteoros
As chuvas de meteoros ocorrem no momento em que a Terra, em seu movimento de translação ao redor do Sol, atravessa a trilha de detritos deixada por cometas ou asteroides. O fenômeno registrado no final de julho resulta da interação do planeta com os rastros de dois corpos celestes específicos.
Ao ingressar na atmosfera terrestre a velocidades que variam entre 20 km/s e 40 km/s, as partículas provocam a compressão rápida do ar à sua frente, elevando a temperatura a milhares de graus Celsius.
Esse calor intenso vaporiza o fragmento de rocha e ioniza os gases ao redor. Portanto, o rastro luminoso observado no céu não é o fragmento em chamas, mas o gás atmosférico incandescente ao longo da trajetória do meteoro.
Por demorarem mais tempo para se vaporizarem totalmente na atmosfera, esses fragmentos geram bolídeos excepcionalmente brilhantes, capazes de superar a luminosidade do planeta Vênus e deixar rastros coloridos perceptíveis por alguns segundos. Como a órbita da Terra é constante e previsível, a interseção com essas duas trilhas de poeira cósmica ocorre sempre na última semana de julho.