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Corregedoria da PM aponta intenção de matar em morte de mulher

17 set 2026 às 09:07

Um relatório da Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo concluiu que a soldado Yasmin Cursino Ferreira teve intenção de matar Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, durante uma abordagem em Cidade Tiradentes, na zona leste da capital paulista.


Segundo o documento, há indícios de homicídio doloso qualificado e não foram identificados elementos que caracterizem legítima defesa.


Thawanna era mãe de cinco filhos e morreu em abril deste ano, poucos dias antes de completar 32 anos.


Como aconteceu


Thawanna caminhava com o companheiro, Luciano Gonçalvez dos Santos, quando uma viatura da Polícia Militar passou pelo local. Segundo o relato apresentado no caso, o braço de Luciano teria esbarrado no veículo.


O policial Weden Silva, que conduzia a viatura, deu marcha a ré e questionou o casal sobre o fato de estar caminhando pela rua.


A discussão evoluiu e, durante a abordagem, a soldado Yasmin disparou contra Thawanna, que morreu após ser atingida.


Os policiais envolvidos alegaram, na ocasião, que Thawanna teria dado um tapa no rosto da soldado e que o disparo ocorreu em legítima defesa.


A dupla foi afastada das atividades operacionais após o episódio e permanece afastada, segundo as informações divulgadas no caso.


Câmera corporal apontou contradições


Imagens registradas pelas câmeras corporais dos policiais militares também passaram a ser analisadas na investigação.


Segundo o material divulgado, as gravações apresentaram contradições na versão inicial dos agentes, que haviam afirmado ter agido em legítima defesa.


Agora, o relatório da Corregedoria aponta que não foram encontrados elementos que sustentem essa justificativa e indica a existência de indícios de homicídio doloso qualificado.


Defesa contesta relatório


Em nota, o advogado de defesa da soldado afirmou que respeita o trabalho realizado durante a investigação, mas considera o relatório final meramente opinativo.


A defesa também sustenta que o documento foi elaborado de forma unilateral, sem participação efetiva dos advogados e sem o contraditório.


Outro argumento apresentado é de que a Justiça Militar Estadual não teria competência para processar e julgar um crime doloso contra a vida cometido por policial militar contra uma vítima civil.


Procurada, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que o inquérito permanece em andamento.


A conclusão da Corregedoria, portanto, integra a investigação e ainda poderá ser analisada pelas demais autoridades responsáveis pelo caso.

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