Um relatório da Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo concluiu que a soldado Yasmin Cursino Ferreira teve intenção de matar Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, durante uma abordagem em Cidade Tiradentes, na zona leste da capital paulista.
Segundo o documento, há indícios de homicídio doloso qualificado e não foram identificados elementos que caracterizem legítima defesa.
Thawanna era mãe de cinco filhos e morreu em abril deste ano, poucos dias antes de completar 32 anos.
Como aconteceu
Thawanna caminhava com o companheiro, Luciano Gonçalvez dos Santos, quando uma viatura da Polícia Militar passou pelo local. Segundo o relato apresentado no caso, o braço de Luciano teria esbarrado no veículo.
O policial Weden Silva, que conduzia a viatura, deu marcha a ré e questionou o casal sobre o fato de estar caminhando pela rua.
A discussão evoluiu e, durante a abordagem, a soldado Yasmin disparou contra Thawanna, que morreu após ser atingida.
Os policiais envolvidos alegaram, na ocasião, que Thawanna teria dado um tapa no rosto da soldado e que o disparo ocorreu em legítima defesa.
A dupla foi afastada das atividades operacionais após o episódio e permanece afastada, segundo as informações divulgadas no caso.
Câmera corporal apontou contradições
Imagens registradas pelas câmeras corporais dos policiais militares também passaram a ser analisadas na investigação.
Segundo o material divulgado, as gravações apresentaram contradições na versão inicial dos agentes, que haviam afirmado ter agido em legítima defesa.
Agora, o relatório da Corregedoria aponta que não foram encontrados elementos que sustentem essa justificativa e indica a existência de indícios de homicídio doloso qualificado.
Defesa contesta relatório
Em nota, o advogado de defesa da soldado afirmou que respeita o trabalho realizado durante a investigação, mas considera o relatório final meramente opinativo.
A defesa também sustenta que o documento foi elaborado de forma unilateral, sem participação efetiva dos advogados e sem o contraditório.
Outro argumento apresentado é de que a Justiça Militar Estadual não teria competência para processar e julgar um crime doloso contra a vida cometido por policial militar contra uma vítima civil.
Procurada, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que o inquérito permanece em andamento.
A conclusão da Corregedoria, portanto, integra a investigação e ainda poderá ser analisada pelas demais autoridades responsáveis pelo caso.