O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) e órgãos federais divulgaram o Boletim nº 3 com projeções para a atuação do El Niño no Brasil. De acordo com dados do CPC/NOAA (Centro de Previsão Climática da Agência Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), há mais de 90% de probabilidade de que o fenômeno alcance intensidade "muito forte" no trimestre entre setembro e novembro.
O relatório técnico foi elaborado de forma conjunta por entidades como o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), o SGB (Serviço Geológico do Brasil), a Sedec (Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil) e o Censipam (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia).
A previsão indica forte alteração no padrão pluviométrico nacional. A Região Sul — em especial o Rio Grande do Sul —, além de áreas de São Paulo e Mato Grosso do Sul, deve registrar volumes de chuva acima da média histórica. Em sentido oposto, as regiões Norte e Nordeste, além de trechos do Brasil Central e do Sudeste (como Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo), tendem a enfrentar chuvas abaixo do padrão normal.
As temperaturas devem se manter elevadas em praticamente todo o país. O Censipam projeta um atraso na transição para o período chuvoso na Amazônia Legal e no Pantanal, estendendo as condições de seca. A combinação de altas temperaturas e estiagem prolongada acende um alerta das autoridades para o aumento do risco de queimadas e incêndios florestais.