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Empresário Sérgio Nahas é preso na Bahia 23 anos após matar esposa em SP

22 jan 2026 às 17:43

O empresário Sérgio Nahas, 61, condenado pela morte da esposa em São Paulo em 2002, foi preso na Bahia. Defesa diz que já entrou com habeas corpus para soltá-lo


Empresário estava foragido desde 2025 e foi detectado por câmeras de reconhecimento facial. Ele foi detido na cidade de Mata de São João, na Região Metropolitana de Salvador, no sábado, informou ao UOL a Polícia Civil da Bahia.


Nahas estava em condomínio de luxo. Segundo a polícia baiana, ele estava na Praia do Forte e com ele foram apreendidos 13 pinos contendo uma substância que parecia cocaína, três aparelhos celulares e um veículo.


Ele passou por audiência de custódia e foi enviado ao sistema prisional da Bahia. A polícia não informou se ele vai ser transferido para São Paulo, onde cometeu o crime pelo qual foi condenado.


Acusado de matar a esposa, ele foi condenado à prisão em 2018 pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Em 2025, o STF ratificou a decisão da prisão. Desde então, o empresário passou a ser considerado foragido.


Defesa diz que há recursos nas Cortes Superioras que, devido ao recesso, tiveram andamento comprometido. Em nota, a advogada de defesa de Sérgio, Adriana Machado e Abreu, informa que o cliente mora na Bahia há anos, antes mesmo do mandado de prisão ser emitido.


Advogada alega, ainda, que Nahas é "uma pessoa idosa e com graves problemas de saúde" e que já entrou com pedido de habeas corpus. A defesa informa que "continuará recorrendo à justiça e utilizará as medidas jurídicas cabíveis, pois há muitas falhas no processo e não poderemos correr o risco de mantermos um inocente preso".


STF condenou empresário a oito anos e dois meses de prisão em maio de 2025, ratificando uma decisão do TJ-SP. Em 2018, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou Nahas a sete anos de prisão no regime semiaberto e, em 2021, aumentou a pena para oito anos e dois meses no regime fechado. A defesa do réu entrou com recursos e o caso foi parar no Supremo.


Corte seguiu voto do relator do caso, o ministro Dias Toffoli. Nahas foi considerado culpado em todas as instâncias pela morte de Fernanda, assassinada a tiros no apartamento em que morava, em Higienópolis, área nobre de São Paulo. A defesa do empresário alegava que a vítima havia atentado contra a própria vida.

Relembre o crime

Empresário matou Fernanda Orfali, 28, após seis meses de casamento. Nahas atirou na esposa quando ela descobriu casos extraconjugais e que ele fazia uso de drogas. A bala ricocheteou na coluna vertebral e atingiu o coração da estilista, que tinha 28 anos. Nahas tinha 38 anos na época do crime.


Cerca de 30 minutos antes de ser morta, Fernanda ligou para o irmão. Ela pediu a Júlio para buscá-la. O irmão percebeu que era grave e foi socorrê-la, mas, quando chegou, a estilista já estava morta.


Nahas disse que ela se trancou no closet dizendo que ia se matar e que, quando ele arrombou a porta para tentar salvá-la, era tarde demais. A investigação, contudo, encontrou vestígios de pólvora na camisa dele, que estava escondida embaixo da cama do casal. A defesa afirmou que os vestígios passaram para a camisa de Sérgio quando ele abraçou a mulher, mas a perícia considerou a alegação improvável. Sérgio foi preso na hora, por porte ilegal de armas, mas liberado em seguida.