Os golpes virtuais que usam inteligência artificial cresceram 308% nos últimos dois anos no Brasil, segundo levantamento recente, impulsionados por clonagem de voz, manipulação de vídeos e criação de identidades digitais simuladas em redes sociais.
De acordo com o estudo, o número de golpes que exploram esses recursos mais do que triplicou no período, o que escancara os riscos das transações on-line, sobretudo das compras feitas diretamente pelas redes sociais, onde anúncios e perfis falsos se multiplicam.
Para demonstrar o potencial de engano da tecnologia, a reportagem produziu em Curitiba um vídeo totalmente artificial do repórter Pedro Talin a partir de uma única foto feita na Rua XV de Novembro. Na tela, a imagem se movimenta e fala como se fosse o jornalista em tempo real.
'Provavelmente você está achando estranho esse vídeo, é porque ele é todo feito com inteligência artificial, a partir de uma foto minha na Rua XV', explica o repórter Pedro Talin, em Curitiba.
Como os golpes com IA funcionam
Entre as estratégias mais usadas pelos golpistas estão a clonagem de voz, que permite simular ligações de familiares pedindo dinheiro, e a manipulação de vídeos, conhecida como deepfake, em que criminosos colocam falas na boca de pessoas que nunca disseram aquilo.
Outra tática é a criação de identidades digitais simuladas, com fotos geradas por computador e perfis que parecem reais. A partir dessas contas, fraudadores oferecem produtos com grandes descontos ou prometem investimentos de retorno rápido para convencer as vítimas a fazer transferências.
Dano financeiro e dificuldade de ressarcimento
O problema é que muitas pessoas só percebem que caíram em um golpe depois de enviar o dinheiro. Nesses casos, o prejuízo costuma ser alto e, na maioria das vezes, recuperar os valores perdidos se torna uma missão quase impossível.
Segundo a advogada Thais Gouveia, especialista em direito digital, recuperar valores após a fraude costuma ser muito difícil. Por isso, ela reforça que a prevenção ainda é a principal forma de proteção.
Dicas para não cair em fraudes digitais
Thais Gouveia orienta que o consumidor pesquise bastante antes de fazer qualquer pagamento on-line.
Especialistas em segurança digital também recomendam verificar se o perfil ou o site da oferta é oficial, desconfiar de promoções com valores muito abaixo do mercado e confirmar pedidos de transferência por outro canal, como uma ligação direta. A orientação geral é adotar uma postura de desconfiança saudável diante de conteúdos perfeitos demais para parecerem verdade.