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Homem morto nos EUA era americano e trabalhava como enfermeiro de UTI

Cidadão americano de 37 anos, enfermeiro de UTI, foi morto em ação do ICE em Minneapolis; governo alega legítima defesa e família questiona versão
25 jan 2026 às 10:18
Por: Band
Reprodução/Redes Sociais

O enfermeiro Alex Jeffrey Pretti, 37 anos, cidadão americano, morreu neste sábado (24) em Minneapolis, nos Estados Unidos, após ser baleado por agentes federais de imigração durante uma operação do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), em meio à intensificação da repressão à imigração determinada pelo presidente Donald Trump.


Como foi o tiroteio, segundo o governo dos EUA


O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) afirmou que o homem foi baleado depois de se aproximar de agentes da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos com uma pistola semiautomática de 9 mm. Segundo o comunicado, os agentes tentaram desarmar o indivíduo, que teria "resistido violentamente", e um deles efetuou "disparos defensivos", temendo pela própria vida e pela segurança dos colegas.


De acordo com o DHS, paramédicos que acompanhavam a operação prestaram socorro imediato, mas Pretti foi declarado morto no local. O governo afirma que a ação fazia parte de uma "operação seletiva" para localizar "um estrangeiro em situação irregular procurado por agressão violenta".

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Um vídeo obtido pela agência Associated Press mostra vários agentes, ao menos um com colete com a inscrição "POLÍCIA", cercando um homem caído no chão e desferindo golpes, antes de se ouvirem diversos disparos. Outro vídeo, não verificado pela AFP, circula nas redes sociais e mostra um homem aparentemente tentando proteger uma mulher de ser atingida por spray químico, antes de ser derrubado por agentes.


As autoridades federais não esclareceram se Pretti chegou a levantar ou apontar a arma. O objeto não aparece nas imagens divulgadas até agora.


Quem era Alex Pretti


Segundo familiares, Alex Jeffrey Pretti trabalhava como enfermeiro em unidades de terapia intensiva no hospital do Departamento de Veteranos em Minneapolis. Nascido em Illinois, ele era cidadão dos Estados Unidos, não tinha antecedentes criminais e, de acordo com registros judiciais, acumulava apenas algumas multas de trânsito.


Pretti cresceu em Green Bay, no Wisconsin, onde praticou futebol americano, beisebol e atletismo na Preble High School. Foi escoteiro e integrou o Coral de Meninos de Green Bay. Formou-se em 2011 em biologia, sociedade e meio ambiente pela Universidade de Minnesota, trabalhou como cientista de pesquisa e depois voltou a estudar para se tornar enfermeiro registrado.


Entusiasta de atividades ao ar livre, ele costumava se aventurar com Joule, seu cão da raça Catahoula Leopard, que morreu recentemente. Vizinhos o descrevem como uma pessoa reservada, prestativa e "de grande coração".


Para Sue Gitar, vizinha que mora no andar de baixo do condomínio onde Pretti vivia há cerca de três anos, ele era "uma pessoa maravilhosa". Ela contou que o enfermeiro se prontificava a ajudar quando havia suspeita de algo errado no prédio, como um possível vazamento de gás, e que, embora soubesse que ele possuía armas para uso em estande de tiro, nunca o imaginou carregando uma pistola nas ruas.


Família e ex-mulher contestam narrativa oficial


Familiares afirmam que Pretti se importava profundamente com as pessoas e estava abalado com a repressão à imigração em Minneapolis e em outras partes dos EUA. O pai, Michael Pretti, disse que o filho participou de protestos após a morte da cidadã americana Renee Good, baleada por um agente do ICE em 7 de janeiro, na mesma cidade.


"Ele se importava profundamente com as pessoas e estava muito chateado com o que estava acontecendo em Minneapolis e em todo os Estados Unidos com o ICE, assim como milhões de outras pessoas estão chateadas", declarou o pai. "Ele achava terrível sequestrar crianças, apenas pegar pessoas na rua. Ele se importava com essas pessoas e sabia que era errado, então participou dos protestos."


Michael contou que, em uma conversa recente, orientou o filho a ter cuidado ao ir às ruas. "Tivemos essa discussão com ele há duas semanas ou mais, que fosse em frente e protestasse, mas não se envolvesse, basicamente não fizesse nada estúpido. E ele disse que sabia disso. Ele sabia", relatou.


A família soube do tiroteio ao ser contatada por um repórter da Associated Press. Eles viram o vídeo do incidente e disseram que o homem morto parecia ser Alex. Em seguida, tentaram falar com autoridades em Minnesota.


"Não consigo obter informações de ninguém", disse Michael no sábado. "A polícia disse para ligar para a Patrulha de Fronteira, mas a Patrulha de Fronteira está fechada, os hospitais não respondem a nenhuma pergunta." Segundo ele, o Instituto Médico-Legal do Condado de Hennepin confirmou ter um corpo que corresponde ao nome e à descrição do filho.


A ex-mulher de Pretti, Rachel N. Canoun, afirmou que não se surpreendeu com a possibilidade de ele ter se envolvido em protestos contra a repressão à imigração do governo Trump. Ela disse que ele era eleitor democrata e participou das manifestações após o assassinato de George Floyd por um policial de Minneapolis, em 2020, perto do bairro onde viviam.


Canoun relatou que o casal costumava transmitir ao vivo os protestos nas redes sociais e descreveu Pretti como alguém capaz de gritar com policiais em uma manifestação, mas não como uma pessoa fisicamente confrontadora. "Ele sentia a injustiça disso. Então, não me surpreende que ele estivesse envolvido", afirmou.


Porte de armas e preocupação com rumo do país

Familiares e a ex-esposa confirmam que Pretti possuía uma pistola e que, há cerca de três anos, obteve permissão para portar arma de fogo de forma velada em Minnesota. Eles ressaltam, porém, que nunca o viram carregando a pistola no dia a dia. Vizinhos disseram saber que ele possuía um rifle usado ocasionalmente em campo de tiro, mas se disseram surpresos com a ideia de que pudesse andar armado nas ruas.


Os pais afirmam que, dias antes da morte, conversaram com o filho sobre reparos que ele havia feito na porta da garagem de casa. O trabalhador contratado era um homem latino, e, diante do clima de tensão em Minneapolis, o enfermeiro decidiu dar uma gorjeta de US$ 100.


A mãe, Susan Pretti, contou que o filho se preocupava com a direção que o país estava tomando, em especial com o afrouxamento de normas ambientais sob a administração Trump. "Ele odiava isso, sabe, as pessoas estavam apenas destruindo a terra", disse. "Ele era um amante da natureza. Levava seu cachorro para todos os lugares que ia. Ele amava este país, mas odiava o que as pessoas estavam fazendo com ele."


Trump defende operação; governador fala em "disparo atroz"


Em publicação na plataforma Truth Social, o presidente Donald Trump defendeu a atuação dos agentes do ICE. "DEIXEM NOSSOS PATRIOTAS DO ICE FAZEREM SEU TRABALHO! 12.000 criminosos estrangeiros ilegais, muitos deles violentos, foram presos e retirados de Minnesota", escreveu.


O governador de Minnesota, Tim Walz, por sua vez, classificou o caso como "mais um ataque a tiros horrível" e, em outra mensagem, como "outro disparo atroz" por parte de agentes federais, em meio a grandes manifestações contra a presença do ICE em Minneapolis. "Minnesota já está farta. Isso é repugnante", publicou no X (antigo Twitter). "O presidente precisa encerrar esta operação. Tirem de Minnesota os milhares de oficiais violentos e sem treinamento. Agora", completou.


Walz anunciou que exigiu que as autoridades estaduais conduzam a investigação sobre a morte de Pretti. "Não se pode confiar no governo federal para liderar esta investigação. O Estado vai assumir, ponto final", afirmou em coletiva de imprensa.


Mais cedo, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, também democrata, pediu que Trump encerre a operação federal anti-imigração. "Este é o momento de agir como um líder. Coloque Minneapolis, coloque os Estados Unidos em primeiro lugar neste momento; vamos alcançar a paz. Vamos encerrar esta operação", declarou.

Trump reagiu novamente na Truth Social, acusando o prefeito e o governador de "incitar a insurreição" com "retórica pomposa, perigosa e arrogante", e intensificou o confronto político com as autoridades locais.


Morte reacende tensão após outros casos em Minnesota


Minneapolis vive uma escalada de protestos desde que agentes federais atiraram e mataram Renee Nicole Good, 37 anos, em 7 de janeiro. Assim como Pretti, ela era cidadã americana e não tinha antecedentes criminais. Uma autópsia classificou a morte como homicídio, o que não significa automaticamente que houve crime. O agente responsável pelos disparos, Jonathan Ross, não foi suspenso nem acusado até o momento.


A indignação pública em Minnesota aumentou nesta semana com o caso de Liam Coejo Ramos, de cinco anos, e seu pai, Adrian Coejo Arias, equatoriano, detidos na terça-feira quando chegavam em casa. O episódio foi citado por manifestantes como exemplo do endurecimento da campanha federal contra imigrantes.


A deputada federal Ilhan Omar, que representa o Estado, classificou a morte de Pretti como "uma execução" e acusou Trump de transformar Minneapolis em "zona de guerra". A senadora democrata Amy Klobuchar afirmou no X que "Donald Trump e todos os seus subordinados que ordenaram este destacamento do ICE" deveriam assistir ao "vídeo horrível" do assassinato e alertou que "o mundo está olhando".


O chefe de polícia de Minneapolis, Brian O'Hara, descreveu a situação após os disparos como "incrivelmente volátil" e pediu que moradores evitassem a área. Enquanto o Estado assume a investigação, grupos de direitos civis cobram transparência sobre as imagens e relatórios oficiais da operação que terminou com a morte de Alex Jeffrey Pretti.


Trump já havia ameaçado invocar a Lei de Insurreição para enviar tropas a Minnesota, diante da continuidade dos protestos contra a campanha federal anti-imigração. A apuração estadual sobre o caso Pretti deve ocorrer sob forte pressão de familiares, organizações locais e autoridades políticas, em um cenário de crescente tensão entre o governo federal e o Estado. (Com agências internacionais.)

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