O Distrito Federal enfrenta um aumento expressivo nos casos de acidentes com escorpiões. Entre janeiro e junho deste ano, foram registrados 1.974 incidentes, um crescimento de quase 7% em comparação ao mesmo período do ano passado. Deste total, 32 casos foram classificados como graves, incluindo o de uma menina de 11 anos, Valentina, que permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em estado grave após ser picada ao calçar um tênis.
A espécie mais comum e perigosa encontrada na região é o escorpião-amarelo. A infectologista Carla Kobayashi explica que o risco é significativamente maior para o público infantil devido à proporção da dose de veneno em relação à massa corporal da criança. "A quantidade de veneno inoculada no organismo é maior em relação à área do corpo das crianças. As complicações mais graves, como insuficiência respiratória e choque, tendem a ser mais intensas nelas", detalha a especialista.
Relatos de vítimas e a proliferação em residências
Os ataques têm ocorrido dentro das próprias casas. A aposentada Maria José Silva, que vive em um apartamento, foi picada enquanto realizava a limpeza do banheiro. "Quando abri o ralo para escorrer a água, ele me picou. Doeu muito", relata.
Na residência vizinha à de Maria José, a situação é ainda mais alarmante. Mais de 100 escorpiões foram capturados em uma única casa, evidenciando a rápida proliferação do aracnídeo no DF. Claudete, tia da pequena Valentina, desabafa sobre a gravidade da situação: "Às vezes a gente acha que é um bicho tão pequeno que não vai fazer mal. A gente só sabe quando é com a família da gente, igual está lá minha sobrinha, lutando pela vida".
Dados nacionais e recomendações de segurança
Os números do Ministério da Saúde mostram que o problema é nacional. No Brasil, cerca de 64 mil pessoas foram atacadas por escorpiões apenas neste ano, uma média de 500 casos por dia, com 80 mortes confirmadas no período.
Especialistas reforçam a importância de medidas preventivas, como manter ralos fechados, inspecionar calçados antes de calçá-los e vistoriar roupas de cama. Caso ocorra uma picada, as recomendações imediatas são:
- Lavar o local com água e sabão.
- Manter a região afetada elevada.
- Nunca tentar sugar o veneno.
- Não usar torniquetes.
- Se for seguro, fotografar o animal para ajudar na identificação médica.