Investigações conjuntas das polícias brasileira e boliviana apontam uma possível ligação entre integrantes do Ministério Público da Bolívia e lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) que atuavam no país vizinho. Segundo as apurações, autoridades teriam recebido pagamentos de propina para fornecer proteção aos criminosos e repassar informações sigilosas sobre operações policiais.
A cidade de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, teria se tornado uma base estratégica para integrantes da facção, de onde eram organizadas operações de tráfico internacional de drogas e articulações para ampliar a influência do grupo criminoso.
Lideranças do PCC foram presas na Bolívia
Em setembro, uma operação conjunta da Polícia Federal, da Polícia Civil de São Paulo e da Força Especial de Luta Contra o Narcotráfico da Bolívia resultou na prisão de dois homens apontados como integrantes da cúpula do PCC.
Um deles é Roberto Prieto Filho, conhecido como Betinho da Baixada. Ele é apontado como responsável pela logística de envio de grandes carregamentos de cocaína pelo Porto de Santos, com destino a países da Europa, Ásia e África.
O outro preso é Márcio Barbosa da Silva, conhecido como Beiço de Mula. Segundo as investigações, ele integrava o núcleo político da facção e atuava na articulação com parlamentares e gestores municipais, buscando ampliar a influência do grupo no poder público.
As apurações também apontam que lideranças do PCC pagavam, em média, US$ 20 mil por mês a integrantes do Ministério Público boliviano para obter proteção contra abordagens e investigações policiais.
Investigação envolve ex-procurador-geral da Bolívia
O caso também envolve o ex-procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, que foi preso durante desdobramentos de uma investigação no país.
Na ocasião, policiais interceptaram uma ambulância que saía de um condomínio ligado ao ex-procurador. Dentro do veículo, foram encontrados 3.532.100 bolivianos e US$ 10 mil em dinheiro, segundo informações divulgadas pela Agência Boliviana de Informação.
A apreensão equivale a uma quantia milionária, mas a origem e a destinação dos valores passaram a ser investigadas pelas autoridades bolivianas.
Suspeitos recebiam alertas sobre operações policiais
Segundo as investigações, integrantes do PCC recebiam informações antecipadas sobre diligências policiais na Bolívia. Promotores suspeitos de envolvimento no esquema teriam repassado dados sobre mandados de busca e apreensão antes da execução das operações.
Com os alertas, os criminosos conseguiam esconder provas e evitar abordagens, o que teria permitido a continuidade das atividades da organização criminosa em território boliviano.
As investigações buscam esclarecer a extensão do esquema de corrupção e identificar outros agentes públicos que possam ter colaborado com a facção.