Sonia Samudio, mãe de Eliza Samudio, desabafou nas redes sociais sobre a morte da filha, que completa 16 anos nesta quarta-feira (10). A ativista e avó de Bruno Samudio lamentou a partida da filha, que foi morta pelo ex-namorado, o goleiro Bruno.
Na publicação, Sonia mostra uma foto de Eliza com o filho, Bruninho e, na legenda, disse que a filha foi arrancada dela. "Há 16 anos, no dia 10 de junho, Eliza foi arrancada de mim. Não foi a morte que vem mansa de doença ou acidente foi a violência, que calou a voz da minha filha antes da hora", escreveu. Para ela, o pior é saber que Eliza chegou a pedir socorro antes de ser morta. "E o que arrebenta a alma da mãe é saber, Eliza pediu socorro, ela tentou, ela gritou, mas a invisibilidade que a sociedade joga sobre a mulher violentada engoliu o grito dela", escreveu. No texto, Sonia afirma que a saudade dela se transformou e virou luta. "Só quem carrega esse buraco entende que a saudade não passa, ela se transforma. Eu sigo com a dor, com amor, com raiva com esperança, sigo porque Eliza me ensinou que mãe não abandona a luta", afirmou.
"Hoje 16 anos depois, Eliza não é mais invisível, hoje o nome dela anda com Marielle, Mércia, Paula, Bianca, com Maria da Penha com todas as mulheres que viraram força depois da dor. Hoje quando a mulher pede socorro, eu quero acreditar que alguém escuta. Por Eliza, por todas. Eliza, presente na minha saudade, presente na nossa luta presente em cada mulher viva", completou.
Relembre o caso
Eliza Samudio foi assassinada em 2010, em um crime que teve grande repercussão nacional. Ela teve um filho com o ex-goleiro Bruno Fernandes, condenado pelo homicídio e por ocultação de cadáver. O corpo da vítima nunca foi encontrado. Apesar da condenação dos envolvidos e do cumprimento da pena por Bruno, o caso nunca foi totalmente encerrado do ponto de vista emocional para a família, justamente pela ausência do corpo.
O crime Em 2009, a modelo Eliza Samudio engravidou do goleiro Bruno. Após a recusa do então atleta do Flamengo em reconhecer a paternidade e pressões para que ela abortasse, o bebê, Bruninho, nasceu em fevereiro de 2010. A principal motivação do crime teria sido a disputa judicial por pensão alimentícia e o impacto que o escândalo teria na carreira de Bruno, que estava no auge. Desaparecimento: Eliza foi atraída do Rio de Janeiro para Minas Gerais com a promessa de que Bruno reconheceria a criança e lhe daria um apartamento.
Ela foi mantida em cárcere privado no sítio do jogador, em Esmeraldas, em Minas Gerais. Execução: Segundo as investigações e depoimentos de envolvidos (como o primo de Bruno), Eliza foi levada do sítio para a casa do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o "Bola", em Vespasiano. Lá, ela teria sido estrangulada. O corpo de Eliza nunca foi encontrado.
Condenações Em 2013, o Tribunal do Júri condenou os principais envolvidos:
Bruno Fernandes: Condenado inicialmente a 22 anos e 3 meses de prisão por homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver (pena posteriormente reduzida para cerca de 20 anos e 9 meses).
Luiz Henrique Romão ("Macarrão"): Amigo de Bruno, condenado a 15 anos por homicídio e sequestro. Marcos Aparecido dos Santos ("Bola"): Apontado como o executor, condenado a 22 anos de prisão.