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Mãe enterra o filho 'duas vezes' após troca de cadáveres

Polícia Científica reconheceu erro operacional na liberação de corpos em Florianópolis
08 mai 2026 às 18:41
Por: UOL
Foto: Arquivo pessoal

Um erro no Instituto Médico Legal (IML) de Florianópolis fez com que uma mãe precisasse realizar o sepultamento do próprio filho duas vezes. Em nota, a Polícia Científica de Santa Catarina admitiu que houve uma “falha” e reconheceu o erro.


O IML catarinense cometeu um erro na liberação dos corpos que estavam na unidade de Florianópolis. Um dos corpos era o de Juliano Henrique Guadagnin, de 24 anos, morto no dia 9 de abril em um acidente de moto. O outro corpo trocado com o do jovem era o de um homem vítima de homicídio, que havia sido levado ao IML no mesmo dia.


O Instituto liberou o corpo de Juliano para sepultamento no dia 10. Na ocasião, a família contratou uma funerária para retirar o cadáver e realizar a cerimônia fúnebre. Foi nesse momento da entrega do corpo à funerária que ocorreu a troca.

O corpo de Juliano permaneceu no IML. No lugar dele, a funerária levou o cadáver do outro homem, que não teve a identidade divulgada pela polícia.


A falha não foi percebida pela família de Juliano porque o IML havia recomendado que o velório fosse realizado com o caixão fechado. O Instituto argumentou que o jovem teve o rosto dilacerado em razão do impacto do acidente, segundo explicou a mãe dele, Mônica Raquel Guadagnin, em entrevista à NDTV, afiliada da Record no estado.

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O erro foi percebido pelo próprio IML após o enterro de Juliano. No mesmo dia, o órgão entrou em contato com os familiares para informar a confusão, e o corpo que havia sido sepultado por Mônica como se fosse o do filho precisou ser exumado para que a troca fosse desfeita.


Corrigida a confusão, Mônica recebeu o corpo correto do filho para que pudesse enterrá-lo no local apropriado. O outro cadáver também foi entregue à família correta para o devido sepultamento.


A mãe de Juliano classificou a falha como inaceitável. “Queremos justiça para que isso não se repita e não aconteça com outras famílias. A dor de perder um filho já é lastimável. É imperdoável uma mãe enterrar o filho, mas você enterrar seu filho duas vezes, não existe uma resposta para isso”, disse ela à NDTV nesta sexta-feira (8), após o caso ganhar repercussão na imprensa.


Mônica informou que registrou boletim de ocorrência. O UOL procurou a Polícia Civil para questionar se o caso é investigado, mas não obteve retorno. O texto será atualizado se uma resposta for enviada.


Por meio de nota, a Polícia Científica de Santa Catarina, responsável pelo IML, admitiu o erro. O órgão afirmou “reconhecer, com transparência e responsabilidade institucional, que ocorreu um erro operacional na unidade de Florianópolis durante a liberação dos corpos”.


A instituição disse ainda “lamentar profundamente o ocorrido” e se solidarizou com os familiares. “A PCI exterioriza suas sinceras condolências e pedido de desculpas às famílias afetadas, que atravessam um momento de dor e merecem todo o respeito e o compromisso desta instituição”.


A Corregedoria da Polícia Científica instaurou procedimento para apurar o caso. A investigação deverá apontar “com precisão as causas do ocorrido, identificar responsabilidades e determinar as medidas disciplinares e preventivas cabíveis. A PCI reitera seu compromisso com a integridade, a ética e a responsabilidade em todas as suas ações”, completou.

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