Uma mansão alugada pela empresária Roberta Luchsinger em um condomínio fechado no Lago Sul, em Brasília, tornou-se o eixo de investigações conduzidas pela PF (Polícia Federal) em torno de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. As apurações buscam determinar se a empresária e o filho do presidente atuavam em conjunto na facilitação e intermediação de interesses privados junto a órgãos da administração pública federal.
Depoimentos colhidos em uma ação trabalhista e anexados ao inquérito indicam que a residência funcionava como ponto de encontro da dupla. Em gravações do processo, uma ex-funcionária relata ter recebido instruções diretas para preparar acomodações para a chegada de Lulinha e acompanhantes.
Conforme relatórios encaminhados ao STF (Supremo Tribunal Federal), trocas de mensagens indicam que Roberta atuava com autorização de Fábio Luís, chegando a declarar a interlocutores que representava diretamente os interesses dele.
O inquérito sobre tráfico de influência investiga também conexões da dupla com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", preso sob a acusação de liderar um esquema de fraudes e desvios em aposentadorias. Relatos de funcionários apontam que a empresária esteve no imóvel do DF pela última vez no início de janeiro, mantendo apenas serviços de manutenção ativos no local.
Em nota, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva negou que o endereço tenha sido utilizado para reuniões políticas ou de negócios. Os advogados questionaram a integridade e a cadeia de custódia do material apresentado, classificando como irresponsável qualquer conclusão prévia baseada nas mensagens vazadas. A defesa de Roberta Luchsinger não quis se manifestar.