O setor de transportes no Brasil vive um momento de alívio, mas ainda mantém o sinal de alerta ligado. Após registrar um pico de quase 26 mil roubos de carga em 2017, o país entrou em uma sequência de queda recorde. Em dez anos, o número de ataques criminosos nas estradas recuou mais de 60%, sendo que apenas na passagem de 2024 para 2025 a redução foi de 16%. O empresário William Zucolote, que tem mais de duas décadas de estrada, lembra bem dos tempos difíceis e relata que o investimento pesado em segurança mudou a rotina das transportadoras.
A Região Sul aparece no topo do ranking de segurança, concentrando hoje apenas 3,3% dos roubos de carga de todo o território nacional. Enquanto o Sudeste ainda sofre com o maior volume de ocorrências devido ao fluxo intenso de mercadorias, as estradas paranaenses têm se tornado mais seguras graças ao uso de ferramentas modernas. Em cidades como Cambé e Londrina, a tecnologia é a maior aliada dos motoristas, com o uso de rastreadores, travas automáticas e monitoramento via satélite em tempo real, dificultando a ação dos bandidos.
Apesar dos bons números, essa proteção tem um preço que pesa no bolso de todos. Toda a inovação tecnológica e as escoltas armadas geram um custo extra que acaba sendo repassado para o valor final dos produtos nas prateleiras dos supermercados. Além disso, o setor de transporte ainda amarga um prejuízo anual de cerca de 1 bilhão de reais, o que motiva cobranças diretas por parte de lideranças como Silvio Kaznorzei, presidente do SETCEPAR, que exige mais ações do poder público para sufocar o crime organizado.
O foco das polícias agora é atacar a outra ponta do crime: a receptação. Como a maior parte das cargas roubadas é composta por itens de fácil revenda, como alimentos e combustíveis, o setor de transportes cobra uma fiscalização mais rigorosa sobre os estabelecimentos que compram mercadoria sem nota. Para quem vive do transporte, a queda nos roubos é uma vitória importante, mas a luta contra o prejuízo bilionário e a insegurança jurídica nas rodovias continua sendo o principal desafio para os próximos anos.