O foguete Space Launch System decolou na noite de quarta-feira (1º), do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, levando quatro astronautas em um voo histórico: o primeiro tripulado ao redor da Lua em mais de 50 anos, desde o Programa Apollo.
Pela primeira vez em mais de 50 anos, quatro astronautas estão a caminho do satélite natural para realizar um sobrevoo que testará os limites da nave Orion.
De acordo com o plano de voo oficial da NASA, o período crítico de aproximação e observação começa nesta segunda-feira (6) às 15h45 (Horário de Brasília). O período principal de monitoramento visual e coleta de dados durará algumas horas.
Nesta fase, os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen realizarão registros fotográficos em alta resolução e observarão locais de pouso em potencial para futuras missões.
Missão Artemis II
A Orion passará a uma distância entre 4.000 e 6.000 milhas (aproximadamente 6.400 a 9.600 km) da superfície lunar. Desse ponto de vista, a Lua aparecerá para os astronautas com o tamanho de uma bola de basquete segurada com o braço estendido.
O ponto de maior proximidade ocorre justamente quando a nave voa por trás da Lua. Durante esse período, a tripulação perderá a comunicação com a Terra por um intervalo de 30 a 50 minutos.
Sem o contato com o controle da missão, os astronautas se tornarão os primeiros humanos desde 1972 a ver a superfície lunar de perto com os próprios olhos. Eles registrarão fotos e vídeos do lado oculto, documentando características geológicas como crateras de impacto e fluxos de lava antigos (como os mares Marginis e Smythii).
Visão Inédita: Dependendo da iluminação no momento, eles podem ser os primeiros humanos a ver áreas específicas da face oculta que nunca foram iluminadas durante as missões Apollo, como a Bacia Orientale, uma cratera de 600 milhas de largura.
Como é a vida dos astronautas?
A caminho da Lua, os tripulantes da missão Ártemis 2 revelam os desafios e as adaptações necessárias para a sobrevivência no espaço. A cápsula Órion, onde os astronautas viverão por dez dias, impõe uma rotina de extremo confinamento. Com apenas três metros de altura e cinco de diâmetro na base, a área habitável é descrita como um cubículo, menor do que um quarto pequeno, exigindo que todas as tarefas diárias sejam executadas com precisão e paciência.
A vida na nave é marcada pela ausência de privacidade e pelo improviso tecnológico. Atividades básicas, como a higiene pessoal, são limitadas ao uso de toalhas umedecidas em frente aos colegas, já que não há chuveiros.
A alimentação consiste exclusivamente em produtos processados e embalados em pacotes, enquanto a rotina de exercícios físicos é restrita a um pequeno canto da embarcação para mitigar a perda de massa muscular em ambiente de microgravidade.