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Mounjaro e Ozempic podem causar pancreatite?

03 fev 2026 às 09:36

A agência reguladora de medicamentos do Reino Unido alertou para um risco raro de pancreatite aguda grave associado ao uso de análogos de GLP-1 e/ou GIP, classe que inclui a semaglutida, presente no Ozempic e no Wegovy, e a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro.

Segundo a MHRA (Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde), a pancreatite aguda já é um efeito colateral conhecido, embora infrequente, dessas medicações. Em situações extremamente raras, as complicações podem ser graves, como pancreatite necrosante ou fatal.

O principal sintoma é dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e vir acompanhada de náuseas e vômitos. A agência destaca que o diagnóstico nos estágios iniciais pode ser difícil, já que os sinais podem ser confundidos com efeitos gastrointestinais comuns do tratamento ou com infecções.


Apesar de consideradas seguras e eficazes para os usos autorizados, as chamadas canetas emagrecedoras não estão isentas de riscos. A semaglutida e a tirzepatida são indicadas para o tratamento do diabetes tipo 2, da obesidade e do sobrepeso associado a comorbidades.


A MHRA orienta que pacientes em uso desses medicamentos procurem atendimento médico imediato caso apresentem sintomas sugestivos de pancreatite grave. Em caso de suspeita, o tratamento deve ser interrompido imediatamente.


Entre 2007 e outubro de 2025, a agência britânica recebeu 1.296 notificações de pancreatite associada ao uso dessas drogas. Desses casos, 19 foram fatais e 24 foram classificados como pancreatite necrosante. 

Um estudo recente da University College London estima que 1,6 milhão de adultos na Inglaterra, no País de Gales e na Escócia utilizaram semaglutida ou tirzepatida para perda de peso entre o início de 2024 e o começo de 2025.


Para o endocrinologista Bruno Halpern, vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica, o risco é conhecido há anos e considerado extremamente raro. 


Segundo ele, desde o lançamento da primeira molécula da classe, há cerca de duas décadas, a pancreatite é apontada como o efeito colateral mais grave, mas os estudos não são conclusivos sobre uma relação causal direta.


Halpern afirma que pessoas com diabetes e obesidade já apresentam maior risco de pancreatite, o que dificulta estabelecer se a medicação aumenta esse risco. 


Além disso, a perda de peso acentuada, mais comum com esses remédios, pode favorecer a formação de cálculos na vesícula biliar, que podem migrar e desencadear a inflamação do pâncreas.


O endocrinologista alerta para o uso das medicações fora das indicações clínicas. Segundo ele, a popularização das canetas levou ao uso por motivos estéticos, sem acompanhamento médico. “São medicamentos eficazes, mas com perfil de risco-benefício e efeitos colaterais raros que podem ser graves”, diz.


Em pacientes com histórico de pancreatite, o uso deve ser avaliado caso a caso. Se a causa tiver sido cálculo na vesícula e o órgão já tiver sido retirado, o risco tende a ser menor.

 

Quando a pancreatite esteve associada a triglicérides elevados, o uso pode ser considerado, já que os medicamentos reduzem esses níveis. Já nos casos de causa desconhecida, a recomendação é maior cautela.


Pessoas com histórico de pancreatite foram excluídas dos estudos clínicos, o que limita as evidências sobre a segurança dessas drogas nesse grupo, afirma Halpern.


Com informações com Estadão Conteúdo.