As mulheres já são maioria entre os pequenos comerciantes que vendem pela internet no Brasil, segundo uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre trabalho em plataformas digitais, divulgada em parceria com a Unicamp e o Ministério Público do Trabalho.
De acordo com o levantamento, elas representam 51,8% dos pequenos negócios que utilizam plataformas de comércio eletrônico, enquanto os homens correspondem a 48,2%.
Apesar da presença crescente no ambiente digital, o comércio eletrônico ainda é pouco utilizado entre os pequenos comerciantes. Segundo a pesquisa, dos cerca de 5 milhões de comerciantes do país, apenas 4,2% usam plataformas digitais para alcançar clientes.
Internet amplia alcance dos negócios
Um exemplo é o da empresária Victória Chaves, que deixou o ramo da alimentação no início do ano para investir em uma plataforma de aluguel e venda de roupas e acessórios.
O negócio trabalha com o conceito de economia circular. Pessoas podem deixar peças em consignação para aluguel ou venda, enquanto toda a operação é realizada pela internet.
Para Victória, a presença digital é fundamental para o empreendimento. O espaço físico funciona principalmente como estoque e também atende clientes que preferem experimentar as roupas antes da compra.
Flexibilidade para conciliar trabalho e família
Para o economista Daniel Poit, a presença feminina no comércio digital também representa uma continuidade de estratégias utilizadas pelas mulheres para complementar a renda familiar.
Segundo ele, durante décadas muitas mulheres trabalharam em atividades como costura e lavagem de roupas, muitas vezes conciliando essas tarefas com os cuidados da casa e dos filhos.
Com a expansão da internet, parte dessas oportunidades teria migrado para o ambiente digital, mantendo uma característica importante: a flexibilidade de horários.
Renda maior
A pesquisa do IBGE também aponta uma diferença significativa na renda. Comerciantes que utilizam plataformas digitais têm renda média mensal 44% maior do que aqueles que não usam a internet para vender.
Os pesquisadores avaliam que o maior alcance de consumidores e a redução de custos fixos ajudam a explicar essa diferença.
Mesmo assim, o levantamento indica um grande potencial de crescimento do comércio digital entre os pequenos negócios brasileiros.
A lógica é simples: uma loja física fica limitada, principalmente, aos consumidores que circulam pela região. No ambiente digital, o comerciante pode alcançar clientes de outras cidades, estados e até de outros países, ampliando o mercado potencial do negócio.