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Namorado de delegada, membro do PCC foi a evento de posse: 'Parece deboche'

16 jan 2026 às 18:52

O namorado da delegada Layla Lima Ayub, recém-empossada e presa hoje, é apontado como membro do PCC e esteve na Academia de Polícia para a posse dela. Informação foi repassada pela Polícia Civil.


Namorado de Layla é apontado como uma das lideranças do PCC na região Norte do país. Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel, morava com a delegada em São Paulo, enquanto estava em liberdade condicional e no período em que ela frequentava o curso de formação da carreira na Academia da Polícia.


Uma foto mostrou que Jardel esteve na posse de Layla como delegada no dia 19 de dezembro de 2025. Na imagem, os dois aparecem do lado de fora da Academia, abraçados e com roupas formais.


Namorado de Layla é apontado como uma das lideranças do PCC na região Norte do país. Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel, morava com a delegada em São Paulo, enquanto estava em liberdade condicional e no período em que ela frequentava o curso de formação da carreira na Academia da Polícia.


Uma foto mostrou que Jardel esteve na posse de Layla como delegada no dia 19 de dezembro de 2025. Na imagem, os dois aparecem do lado de fora da Academia, abraçados e com roupas formais.


Promotor do Ministério Público se referiu à presença de Jardel no evento como um "demonstrativo de audácia". "Ela é advogada, ciente de que ele está descumprindo o sistema de livramento condicional dele e ciente de que ele é um autodenominado membro da facção. Mesmo assim, leva ele na posse dela no Palácio dos Bandeirantes. Parece um deboche", afirmou ao UOL Carlos Gaya, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).


Não há indícios de que a facção tenha investido e patrocinado a carreira da delegada. A principal hipótese é de que ela tenha sido cooptada a partir do contato com lideranças do PCC durante o exercício da advocacia, o que se aprofundou a partir do relacionamento com Dedel.


"Não parece que ela foi cooptada para ser delegada do PCC. Foi uma ação individual." - Carlos Gaya, promotor do Gaeco.


Secretário de Segurança disse que delegada não tinha comportamentos anteriores "que a desabonassem". No entanto, o delegado Nico Gonçalves explicou que os admitidos no concurso ficam em estágio probatório por três anos, podendo ser investigados.


O casal também é suspeito de estar em processo de compra de uma padaria para lavagem de dinheiro. De acordo com Gaya, os dois tinham negociado comprar recentemente o estabelecimento, que fica em Itaquera, na zona Leste de SP, de um homem que era natural da mesma cidade de Jardel. "A gente não sabe ainda se ele era um laranja, se eles fizeram um contrato de gaveta. Supostamente existe um contrato de aquisição e eles confirmaram isso informalmente. Dizem que eles estariam em tratativas para comprar essa padaria. Foram achados alguns contratos, mas a propriedade ainda não tinha sido transferida para eles", explicou Gaya.


Layla é investigada por integrar organização criminosa e lavagem de capitais. Ela está presa temporariamente, com validade de 30 dias e possibilidade de prorrogação por mais 30, até conclusão dos trabalhos.


Polícia tenta identificar todos os clientes de Layla para traçar as relações entre eles. "Companheiro também é cliente dela", esclareceu Luiz Fernando Bugiga, promotor do Gaeco.

Entenda o caso

Layla Lima Ayub foi presa na manhã de hoje durante a Operação Serpens. Ação é realizada pelo Ministério Público de São Paulo, pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil e pelo Gaeco do Pará.


Delegada teria participado em uma audiência de custódia no Pará como advogada de quatro presos. Os crimes pelos quais eles foram presos eram tráfico de drogas e associação criminosa.


Audiência foi realizada após a posse como delegada — o que é proibido. Segundo o Estatuto da Advocacia, ocupantes de cargos públicos não podem exercer função de advogado, nem mesmo em causa própria.


Além do mandado de prisão temporária contra a mulher, a ação teve como alvo o namorado dela, que também foi preso. Sete mandados de busca e apreensão também teriam sido cumpridos nas cidades de São Paulo e de Marabá (PA).


"Mecanismos internos de controle" ajudaram polícia a descobrir delegada. O órgão informou que indícios de irregularidades foram identificados pela corregedoria, que tomou "todas as medidas cabíveis" em seguida.


A delegada foi empossada no dia 19 de dezembro junto a outros 523 delegados de polícia do estado. A cerimônia de posse dos servidores teve a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Antes de assumir o cargo, ela atuou como policial no Espírito Santo e como consultora jurídica no Pará. Nas redes sociais, a delegada se apresentava como ex-advogada criminalista.


O UOL tenta contato com a defesa da delegada. O espaço segue aberto para manifestação.